Greve da função pública com boas perspetivas de adesão

13 de February 2019 - 14:35

Marcada para a próxima sexta-feira por sindicatos da CGTP e da UGT, a greve da função pública deve sentir-se mais visivelmente nos estabelecimentos de saúde, escolas, repartições de finanças e serviços das autarquias.

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Mural Greve Geral. Foto de José Coelho/Lusa.
Foto de José Coelho/Lusa.

A decisão do governo de restringir os aumentos salariais na função pública aos trabalhadores com salário mínimo continua a gerar descontentamento e motiva a greve nacional marcada para a próxima sexta-feira. Os sindicatos mostram-se confiantes e com boas expetativas quanto à adesão, e os efeitos da greve poderão ser particularmente visíveis nos setores da saúde, educação, finanças e autarquias.

O salário mínimo, recorde-se, passou em Janeiro deste ano de 580 para 600 euros, e os trabalhadores do Estado nesse escalão de rendimento passarão de 580 para 635 euros. Mas para todos os outros, o governo pretende manter os salários congelados, tal como se mantêm há 10 anos.

O congelamento de mais de uma década levou a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, da CGTP, a convocar a greve. Juntaram-se-lhe alguns dias depois a Federação Sindical da Administração Pública (FESAP) e a Federação Nacional da Educação (FNE), estruturas afetas à UGT. A Frente Comum reivindica um aumento geral dos salários em 4%, e um aumento mínimo de 60 euros para aqueles que ganhem menos de 1500 euros por mês. A FESAP reclama um aumento de 3,5%. Outro motivo de protesto é o facto de 80 carreiras continuarem por rever, entre elas os bombeiros, fiscais municipais, polícias municipais, inspetores de trabalho ou de segurança social.

Em declarações à agência Lusa, Ana Avoila da Frente Comum mostrou-se otimista: "Acreditamos que esta greve vai ter uma grande adesão, porque os trabalhadores da administração pública estão muito mobilizados e existe maior unidade do que nas greves anteriores, concretizadas nesta legislatura". Pela FESAP, José Abraão secundou esta impressão: a greve "deverá ter uma elevada adesão, sobretudo na educação, na saúde e nos bombeiros, porque os trabalhadores não aceitam mais um ano sem aumentos e exigem uma negociação séria, com compromissos claros". A última greve função pública ocorreu em Outubro do ano passado.

Amanhã, véspera da greve, a FESAP e a FNE promovem ao início da tarde uma concentração de protesto em frente ao Ministério das Finanças.