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Greve contra os militares paralisa Cartum

Na capital do Sudão houve muitas lojas e bancos fechados, serviços públicos que não funcionaram e transportes paralisados no primeiro de dois dias de greve. Protesta-se contra a manutenção no poder da junta militar que depôs o ex-presidente deste país que vive uma primavera de protestos populares.
Trabalhadores em greve na Omdurman aalahlia university/Foto de Sudan Uprising/Twitter

As forças da Aliança para a Liberdade e Mudança, uma coligação informal de partidos e grupos da sociedade civil, e os sindicatos sudaneses reclamaram vitória logo esta terça-feira no primeiro de dois dias de greve geral convocada no país. À AFP Siddiq Farukh, um dos dirigentes da plataforma de protesto, declarou que “a resposta ao apelo à greve tem sido melhor do que esperávamos”.

Na sequência de uma onda de manifestações populares, os militares depuseram e detiveram o contestado presidente Omar Al-Bashir em 11 de abril. Em vez da prometida transição para a democracia têm mantido o poder nas suas mãos. Por isso, as manifestações não pararam e dirigem-se agora contra a ameaça de eternização de um novo regime militar do país.

Por um lado, os militares juram que estão prontos para entregar o poder nas mãos de civis com celeridade. Por outro declaram, como o fez esta segunda-feira o general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemeti, que os militares “não vão entregar este país exceto se for em mãos seguras.

E o périplo recente do dirigente da junta militar, Abdel Fattah al-Burhan, por países como o Egito, Emirados Árabes Unidos e Sudão do Sul também levantou preocupações de que buscaria apoios internacionais para se manter no poder.

Os militares são acusados, para além disto, de reprimirem violentamente os protestos que continuaram a acontecer no local já tradicional, em frente ao ministério da defesa.

A oposição organizada chega a este protesto dividida. O principal partido da oposição, o National Umma Party, tem seguido um caminho diferente da Aliança para a Liberdade e Mudança. Opôs-se à greve. E Sadiq al-Mahdi, o seu líder e último presidente democraticamente do país antes do golpe de Al-Bashir em 1989, criticou abertamente a “preparação e o timing” e classificou o rumo da aliança como “ações erróneas e precipitadas”.

Já os promotores da greve dizem que não tiveram outra alternativa já que os militares suspenderam as negociações sobre a transição de poder. Ameaçam partir para a desobediência civil como último recurso. Procuram assim responder à radicalidade das ruas que exige exige mais do que mudanças simbólicas. Num slogan famoso que parte da derrota das primaveras árabes, os manifestantes têm reclamado: “isto não é uma primavera, queremos o jardim todo.” E quando surgiram as vozes da intimidação contra a guerra responderam: “a juventude sudanesa perdeu as suas vidas, estamos preparados para perder os nossos trabalhos.”

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