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Greta Thunberg exige ao Fórum de Davos que termine investimento em combustíveis fósseis

Num artigo assinado com outros jovens ativistas de todo o mundo, a jovem sueca exige aos banqueiros, magnatas e governos que retirem imediatamente o seu dinheiro da indústria dos combustíveis fósseis.
entrada do fórum de Davos
Entrada da edição de 2016 do Fórum de Davos. Foto do governo sul-africano/Flickr

A poucos dias do início do Fórum de Davos, que assinala este ano meio século de existência a articular os interesses dos bilionários de todo o mundo, Greta Thunberg e mais duas dezenas de jovens ativistas pela justiça climática assinam um artigo publicado no Guardian e dirigido aos participantes no encontro.

“Exigimos que no fórum deste ano, os participantes de todas as empresas, bancos, instituições e governos parem imediatamente todos os investimentos na exploração e extração de combustíveis fósseis, cessem imediatamente todos os subsídios aos combustíveis fósseis e desinvistam imediata e completamente doscombustíveis fósseis”, afirmam, acrescentando que “não queremos que estas coisas fiquem feitas em 2050, 2030, ou mesmo 2021, queremos que seja feito já — ou seja, agora mesmo”, sublinham.

Os ativistas dizem compreender “que o mundo é complicado e que o que pedimos pode não ser fácil”. “Mas a crise climática é também extremamente complicada e isto é uma emergência. Numa emergência, sai-se da sua zona de conforto e tomam-se decisões que podem não ser muito confortáveis ou agradáveis. E vamos ser claros: não há nada fácil, confortável ou agradável acerca da emergência climática e ambiental”.

A plataforma europeia By 2020 We Rise Up, composta por várias associações e movimentos sociais, já anunciou uma quinzena de ação entre 13 e 26 de janeiro para apontar o dedo às responsabilidades da indústria financeira no alimentar da crise climática em troca de lucro fácil e rápido.

Greta Thunberg e outros ativistas irão estar dentro da cimeira para reforçar esta posição de viva voz junto dos participantes do encontro.

Líder do Fórum de Davos quer aproveitar “efeito Greta”

Num artigo publicado em dezembro, o fundador e presidente executivo do Fórum Económico Mundial anunciou o lançamento de um novo “Manifesto de Davos”. Para Klaus Schwab, a questão do momento é “que tipo de capitalismo queremos?” e a sua resposta afasta-se quer do “capitalismo dos acionistas” ocidental, que diz ter-se tornado “progressivamente desligado da economia real”, quer do “capitalismo de Estado” de países como a China.

Segundo Schwab, “o efeito Greta Thunberg” é responsável não por cada vez mais gente pôr em causa o capitalismo mas sim por chegarem à conclusão que “esta forma de capitalismo já não é sustentável”. Para o líder do Fórum de Davos, a solução está no “capitalismo de stakeholders [partes interessadas]”.

Por isso, o novo manifesto de Davos irá defender que “as empresas paguem a sua fatia justa de impostos, mostrem tolerância zero com a corrupção, façam cumprir os direitos humanos ao longo de toda a cadeia de produção e defendam um terreno de jogo equilibrado e competitivo – em especial na “economia das plataformas”.

“Se querem mesmo deixar a sua marca no mundo [os líderes empresariais] não têm outra alternativa”, defende Klaus Schwab, fazendo antecipar que esta cimeira será quase inteiramente dedicada a lavar a imagem dos bilionários que enriqueceram à conta da predação dos recursos do planeta e dos direitos dos povos, provocando o aumento generalizado das emissões poluentes.

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