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Greenpeace: Pense duas vezes antes de fazer compras no “Dia dos Solteiros”

Este sábado, 11 de novembro, o consumismo volta a bater recordes na China. Mas as consequências ambientais do “Dia dos Solteiros”, transformado em 2009 numa corrida às compras pela plataforma chinesa de vendas online Alibaba, são catastróficas.
Imagem do vídeo da Greenpeace sobre o impacto do consumismo no "Dia dos Solteiros"

Seria preciso plantar mais de dois milhões e meio de árvores para absorver apenas as emissões produzidas pela venda de vestuário no “Dia dos Solteiros” do ano passado, aponta a Greenpeace. A organização ambientalista lançou esta sexta-feira o apelo a que não se façam compras online neste sábado de espiral consumista.

As pessoas “são sempre enganadas, mas como os artigos são tão baratos, elas não se importam e continuam a comprar e comprar, alimentando um círculo vicioso”, diz Walton Li, da Greenpeace Hong Kong.

“O ‘Dia dos Solteiros” é uma catástrove para o ambiente. Não apenas cria quantidades enormes de lixo, como as emissões de CO2 do fabrico, embalagem e transporte são enormes”, diz por seu lado a ativista da Greenpeace do Leste Asiático, Nie Li.

Criado em 2009 pela plataforma de vendas online chinesa Alibaba, o “Dia dos Solteiros” não demorou muito a ultrapassar em quantidade de vendas as “Black Friday” que promovem a corrida às lojas (e aos sites) das principais cadeias comerciais ocidentais. No ano passado, as vendas totais no "Dia dos Solteiros" foram estimadas em 17.8 mil milhões de dólares, cerca de 15.2 mil milhões de euros ao câmbio atual. Um valor que ultrapassa, por exemplo, o volume total de vendas por comércio eletrónico no Brasil durante todo o ano de 2016.

A maior fatia das vendas (28.5%) do "Dia dos Solteiros" do ano passado diz respeito a artigos de vestuário e a Greenpeace aponta para o impacto ambiental local desta prática, numa altura em que um quinto dos rios e lagos da China estão contaminados devido às descargas da indústria têxtil.

Num inquérito feito pelos ambientalistas em Hong-Kong sobre o desperdício das compras do “Dia dos Solteiros”, as principais razões para deitar fora os artigos adquiridos nesse dia foram a má qualidade, o tamanho errado e a aparência diferente da anunciada. Outro inquérito concluiu que um em cada quatro artigos de vestuário comprados online por habitantes de Hong Kong não foram usados mais de duas vezes antes de serem atirados para o lixo. Ou seja, cerca de 5.8 milhões de peças de roupa por ano vão para o lixo praticamente por estrear.

As motivações do fenómeno consumista tem sido também objeto de estudo por parte da Greenpeace. Num inquérito publicado em maio, divulgou dados que apontam para o comportamento compulsivo de quase metade dos consumidores na China, Taiwan e Hong Kong, reforçado pela ação das redes sociais e pela facilidade em comprar online.

No entanto, são os próprios consumidores (mais de 50% dos inquiridos na China) a admitirem que a sensação de felicidade alcançada com a compra de artigos de moda não dura mais que 24 horas. “É verdade que o custo do arrependimento é baixo, mas é o ambiente que fica a pagar a fatura, e esses custos são elevados”, alerta Walton Li.

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