You are here

Gravidez adolescente em Portugal continua em queda acentuada

O número de raparigas grávidas até aos 19 anos em Portugal caiu 44% entre 2011 e 2018. Números da Direção Geral de Saúde confirmam que o recurso ao aborto também baixou entre as adolescentes.
Foto de Paulete Matos.

Em 2018 nasceram 35 crianças de mães até aos 14 anos, o número mais baixo de sempre. Os dados do relatório da Direção Geral de Saúde, revelados pelo semanário Expresso este sábado, indicam que em apenas sete anos foi possível reduzir a gravidez adolescente (até aos 19 anos) a quase metade em Portugal: de 6.021 casos em 2011 para 3.390 em 2018.

Ouvida pelo Expresso, Teresa Ventura, a co-autora do relatório que lidera a Divisão de Saúde Sexual Reprodutiva Infantil e Juvenil da DGS, diz que esta evolução é “fruto do esforço de esclarecimento e prevenção desenvolvido pela DGS”.

Também o recurso às interrupções de gravidez por parte das adolescentes está a diminuir, acompanhando a tendência de quase todas as faixas etárias. Também no período entre 2011 e 2018, a queda foi de 28% no númerto total de IVG por vontade da mulher, que representa a quase totalidade das situações.

No caso das grávidas até aos 14 anos, 44 decidiram interromper a gravidez em 2018, representando 0.29% do total de IVG realizadas em Portugal. Na faixa entre os 15 e os 19 anos, houve mais nascimentos (1.993) do que interrupções (1.318). Um dos desafios são os casos de reincidência entre os 15 e os 19 anos – 39 raparigas interromperam a gravidez três vezes e 22 fizeram-no por duas vezes. Para Teresa Ventura, trata-se de “um grupo pequeno, que revela alguma resistência na utilização de contracetivos, o que é trabalhado nas consultas de adolescentes”.

O relatório da DGS contém os dados sobre IVG de 2018, que a diretora-geral de Saúde já tinha avançado em entrevista ao Público no final do ano passado: pela primeira vez desde que há registos, menos de 15 mil mulheres interromperam a gravidez em Portugal.

A região de Lisboa e Vale do Tejo concentra 58.8% do total das 14.928 IVG realizadas em 2018 e é na dos Açores que se regista a média etária mais baixa: 27 anos. 71.3% das IVG foram realizadas em unidades públicas e em média tiveram lugar à sétima semana de gravidez, através de via medicamentosa em mais de dois terços dos casos. 56.7% das mulheres que interromperam a gravidez em 2018 já tinham tido pelo menos um filho e 70% fizeram-no pela primeira vez.

Reagindo ao anúncio dos dados sobre IVG no final de dezembro, a deputada bloquista Sandra Cunha afirmou ao esquerda.net que “a diminuição das IVG prova-nos que os cenários catastróficos do recurso ao aborto como método contracetivo eram chantagens conservadoras e patriarcais sem qualquer sentido” e que a despenalização trouxe consigo “mais acompanhamento, mais saúde e menos mortes” de mulheres.

Termos relacionados Sociedade
(...)