“Governo não tinha mandato político para fazer cativações deste nível”

27 de July 2017 - 21:26

Em entrevista ao Público e Rádio Renascença, Pedro Filipe Soares diz que foi “o pânico de não ser alcançada a meta de défice” que levou o governo a aumentar as cativações da despesa aprovada em Orçamento. E avisa Centeno para não repetir o mesmo erro no próximo Orçamento.

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Pedro Filipe Soares
Foto Paulete Matos.

“Já dissemos ao Governo com toda a transparência que esta forma de fazer cativações… ter um défice para Bruxelas ver, para depois termos problemas no nosso país, não é aquilo que aceitamos”, afirmou o líder parlamentar bloquista na entrevista ao Público e Rádio Renascença, publicada esta quinta-feira.

“E se Centeno quer ser o Ronaldo do Ecofin à custa das cativações dos serviços, não é o modelo que consideramos aceitável”, avisa Pedro Filipe Soares, reconhecendo que o Bloco vai melhor preparado para as negociações do Orçamento do Estado para 2018: “Aprendemos como é que o Governo pode contornar a Assembleia”.

“O que dissemos ao Governo é que nós ficámos desconfortáveis com o Governo ter feito uma execução orçamental para a qual não tinha mandato político para fazer. Não tinha mandato político para fazer cativações deste nível”, aponta o líder parlamentar do Bloco.

O Bloco não põe em causa a necessidade de existirem cativações, embora limitadas. “O problema político fundamental é que as cativações, fruto da paranóia do défice que há neste país, funcionam como resposta ao medo. Quando o que sempre dissemos era que devia haver confiança neste caminho. 2016 provou isso. Se tivermos tido confiança, não precisávamos de ter feito cativações como as que foram feitas, não precisávamos sequer de ter feito o perdão fiscal”, defendeu Pedro Filipe Soares.

“Tudo isso existiu porque se estava a instalar o pânico de não ser alcançada a meta de défice. Se este ano não aprendemos nada com o ano passado, então vamos fazer os mesmos erros”, avisa.

Na mesma entrevista, o líder parlamentar do Bloco refere ainda que as negociações orçamentais estão mais atrasadas do que no ano passado, situação que já se verificava antes da substituição de vários secretários de Estado do governo. E diz que o Bloco vai voltar a insistir para que haja mais confiança no caminho da recuperação de rendimentos, que já deu provas de poder ajudar a economia a crescer e o desemprego a diminuir.

“Já temos marcada uma reunião para finais de Agosto, para reatar esse processo. O que esperamos é que haja da parte do Governo mais informação do que aquela que temos tido”, conclui Pedro Filipe Soares.