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Governo de Passos Coelho sabia do interesse dos chineses pela TAP

A Hainan Airlines vai entrar no capital da TAP. Governo não divulgou esse ponto do acordo que fez com a Atlantic Gateway e Passos Coelho criticou essa omissão. Afinal, o interesse do grupo chinês já era do conhecimento do governo PSD/CDS-PP, quando privatizou a TAP. O Bloco criticou, desde o início, a reversão incompleta da privatização da TAP.
Foto de Aero Icarus/flickr

No passado sábado, foi divulgado pelo Expresso que a empresa chinesa Hainan Airlines vai financiar a TAP e ficar sua acionista, o que o atual governo não tinha divulgado, quando tornou público o acordo estabelecido entre o Estado e a Atlantic Gateway, para a recuperação de 50% do capital da transportadora aérea. Passos Coelho criticou, de imediato, o governo de António Costa por ter omitido a entrada de capital na TAP.

Governo PSD/CDS-PP tinha sido informado

"Fomos todos surpreendidos com essa notícia e acho mesmo espantoso que o Governo tenha sido chamado ao parlamento para esclarecer o que é que se passou com a renegociação do processo de privatização sobre a TAP e tenha omitido estas informações", declarou então o líder do PSD.

Afinal, Passos Coelho e o seu governo sabiam há muito do interesse do grupo chinês pela TAP, segundo o “Jornal de Negócios” desta terça-feira. O jornal refere mesmo que “nas primeiras conversas” para a privatização da TAP, David Neeleman informou o governo Passos Coelho/Paulo Portas da entrada do grupo chinês no capital da sua empresa brasileira, a Azul, e a possibilidade da Hainan vir a subscrever obrigações convertíveis em ações da TAP.

Segundo divulgou o Expresso no sábado passado, o grupo chinês vai investir 400 milhões de euros por 23,7% da empresa Azul em ações convertíveis da TAP, podendo assim ficar com 10% a 13% da transportadora aérea.

O “Jornal de Negócios” desta terça-feira refere que, segundo um anúncio divulgado na imprensa chinesa, a administração do grupo chinês aprovou o negócio com a Azul no dia 5 de fevereiro, o dia anterior à assinatura do memorando entre o atual Governo português e a Atlantic Gateway. Ainda segundo o jornal, a entrada da Hainan Airlines (HNA) não foi divulgada publicamente a pedido de David Neeleman.

TAP foi vendida a quem não tinha dinheiro para a comprar”

Em artigo com o título “Duas espertezas saloias”, publicado em blogues.publico.pt, Francisco Louçã critica o executivo de António Costa pela não divulgação da entrada do capital da HNA à opinião pública, considerando-a “uma esperteza saloia”.

Louçã critica como uma segunda “esperteza saloia, esta muito ressabiada” a declaração de Passos Coelho no sábado passado e questiona: “O homem dar-se-á conta de que esta trapalhada sublinha como a TAP foi vendida a quem não tinha dinheiro para a comprar? E que o seu governo, que fez na TAP um dos mais reptilíneos negócios dos últimos dias de mandato, é o primeiro atingido por esta notícia?”

Bloco criticou reversão incompleta da privatização da TAP

Quando foi conhecido o acordo assinado entre o Estado e o consórcio Gateway, o Bloco de Esquerda considerou-o um "avanço", mas um avanço "coxo", sublinhando que “a recuperação de 50% [do capital] não é a reversão do negócio”.

Em intervenção na Assembleia da República, o deputado bloquista Heitor de Sousa denunciou que “a operação de reprivatização da TAP só serve os interesses do senhor Neeleman para a recuperação da sua companhia aérea – a Azul – à custa do erário público português”, sendo que “a banca nacional e o Estado português vão continuar a ser o garante deste negócio quer no que se refere ao passivo quer no que se refere à dívida entretanto renegociada”.

Heitor de Sousa sublinhou então que "o único caminho para defender o interesse público é manter uma TAP pública, gerida segundo critérios de eficiência económica certamente, mas gerida também em nome do interesse público”.

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