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Governo contacta escolas para prepararem aulas online

Faltam mais de 200 mil dos computadores prometidos aos alunos carenciados. Dirigentes escolares e sindicatos lembram que é preciso encarar outros fatores de desigualdade no ensino à distância.
Criança em atividades escolares. Foto de Paulete Matos.
Criança em atividades escolares. Foto de Paulete Matos.

O diretor-geral dos Estabelecimentos Escolares, João Miguel Gonçalves, enviou um e-mail aos diretores escolares no qual informa que se devem preparar para poder ativar o regime de ensino não presencial a partir de 8 de fevereiro.

A indicação sugere que a interrupção das atividades letivas presenciais por quinze dias, que começou a 22 de janeiro, pode prolongar-se devido à pandemia e a pausa letiva pode vir dar lugar ao ensino online. Tiago Brandão Rodrigues, à SIC, esclareceu contudo que a decisão ainda não foi tomada.

Segundo o e-mail de "instruções e recomendações", citado pelo Público, "tendo as escolas, na preparação do ano letivo, previsto o funcionamento em regime não presencial, este deve estar preparado para poder ser ativado". Informa-se ainda que as escolas vão ter outra vez acesso às plataformas de editores e recursos que foram utilizados o ano passado.

Na data do possível regresso das aulas online, dizem a este jornal os representantes dos diretores escolares, faltarão ainda muitos dos computadores prometidos pelo governo aos alunos com dificuldades económicas: dos 335 mil prometidos, apenas foram entregues 100 mil.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, coloca mais problemas em cima da mesa: “este tipo de ensino à distância, se formos para ele, é muito injusto, muito desigual e não tem só que ver com os computadores, mas com as condições de trabalho que estes jovens têm em casa e que em muitos casos não são nenhumas”. Em muitos casos não há “um ambiente familiar salutar para ouvir as lições ou a garantia de que vão ter uma refeição quente para almoçar”.

E Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, complementa lembrando que há “zonas do país onde a rede é fraca ou quase não existe” e que “os alunos do 1.º e do 2.º ano estão agora no processo de desenvolvimento e mecanização da escrita e leitura. Esta paragem de duas semanas é uma verdadeira catástrofe, vai ser preciso recomeçar praticamente do início”.

Também os sindicatos exigem mais condições para o ensino à distância. Num comunicado em que considera que o “encerramento era inevitável” e que “é preciso, agora, preparar o futuro evitando erros passados”, o secretariado da Fenprof, para além de criticar a postura do governo de não ter realizado testes nem adotado “procedimentos uniformes e adequados às situações concretas e tornada pública toda a informação sobre a evolução da infeção nas escolas”, também pede um ajustamento do calendário escolar.

Salienta-se que “é necessário tomar decisões em relação aos currículos, aos apoios e ao indispensável reforço de recursos humanos nas escolas, às avaliações, às aferições, provas finais e exames e, ainda, ao acesso ao ensino superior”. Por isso, apela-se à preparação simultânea do regresso às escolas, “melhorando as condições de segurança sanitária em que estas se organizaram e garantindo a realização de testes, seja através de rastreios periódicos, seja de despiste face à existência de casos confirmados de covid-19” e do recurso a ensino remoto, “criando condições para que nenhum aluno seja excluído e todos os que necessitarem de apoio a ele tenham acesso”. A federação sindical entende que, para o regresso do ensino presencial, os professores deveriam integrar a próxima fase de vacinação.

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