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Governo catalão mostra urnas e anuncia mais de 2000 centros de voto

A menos de 48 horas do referendo à independência, o governo da Catalunha assegurou que tem prontas alternativas caso a polícia encerre mesas de voto.
Jordi Turull, Oriol Jonqueras e Raul Romeva na conferência de imprensa desta sexta-feira. Imagem ETB

Numa comunicação feita no centro internacional de imprensa criado para os cerca de 1500 jornalistas de todo o mundo acompanharem o referendo de 1 de outubro, três membros do governo catalão apresentaram o resultado do censo de votantes. Mais de 5.3 milhões de catalães estão aptos a votar no referendo em 2315 centros eleitorais, apoiados por 7235 voluntários.

O governo espanhol, através da Agência de Proteção de Dados, ameaçou estes voluntários com multas até aos 300 mil euros, caso venham a ser identificados.

A conferência de imprensa serviu também para a apresentação do modelo de urnas de voto que o Estado espanhol tem tentado apreender nas últimas semanas.

Esta sexta-feira, o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, reuniu com o grupo de 30 observadores internacionais, na maioria deputados e eurodeputados de vários partidos, que inclui o dirigente bloquista Luís Fazenda.

Nas ruas de Barcelona, a mobilização da antevéspera do referendo foi protagonizada por centenas de agricultores, que desfilaram com os seus tratores pelas ruas da cidade.

No entanto, o objetivo de chegar à sede da delegação do governo espanhol na Catalunha foi travado pela polícia catalã, com o cortejo a seguir pelo centro da cidade, onde se juntaram aos estudantes e às várias mobilizações em curso, que também incluíram momentos musicais.

Pelo contrário, em Girona, os agricultores conseguiram chegar à sede da subdelegação do governo na cidade.


Polícia diz que vai fechar escolas, resistência organiza-se

Esta sexta-feira, o líder dos Mossos d’Esquadra reuniu com todos os comandos policiais da Catalunha para preparar o dispositivo policial do fim de semana. A polícia catalã recebeu ordens da justiça espanhola para criar um perímetro à volta das escolas onde está prevista a abertura da mesa de voto.

Josep Luis Trapero deu ordens para as unidades policiais se deslocarem às escolas a partir de sexta-feira à tarde, com instruções para identificarem os presentes nos locais de votação e apreender o material relacionado com o referendo que ali se encontre. Mas caso haja uma concentração de pessoas que resistam à ordem de saída, a instrução é para a polícia avisar o comando e nunca recorrerem à força, salvo em caso de altercações.

Para contornar a proibição, muitas comunidades escolares decidiram organizar festas de pijama nas noites de sexta e sábado e programação de atividades durante todo o fim de semana. O movimento “Escolas Abertas”, que conta com a participação de sindicatos e associações de pais, anunciou ter recebido mais de 60 mil inscritos para garantir que as escolas estarão abertas, apesar da ameaça policial.

Também a Assembleia Nacional Catalã e o Òmnium Cultural, as duas instituições que têm coordenado o movimento independentista, apelaram à defesa dos pontos de votação.

Nos municípios que não disponibilizaram locais de votação, o governo catalão anunciou que o referendo terá lugar em urnas colocadas na via pública.

Governo catalão apresenta queixas contra Procuradoria

Na sexta à tarde, o responsável pela pasta da Justiça no governo catalão anunciou a entrega de duas queixas contra o Procurador Geral do Estado, Jose Manuel Maza e o Procurador superior da Catalunha, José Maria Romero de Tejada, por prevaricação e usurpação de funções.

Carles Mundó acusou o governo de Mariano Rajoy de se estar a “esconder atrás das togas” e a “suspender a separação de poderes”, tendo apresentado uma lista de dez violações da legalidade por parte do Estado espanhol nas últimas semanas contra a Catalunha.

A encabeçar a lista está a perseguição a um ato – a celebração de um referendo – que não é um delito, com ameaças de prisão para organizadores e participantes. Seguem-se o envio de dez mil polícias para a Catalunha, a designação de um coronel da Guardia Civil para dirigir os Mossos d’Esquadra, a intervenção na gestão do governo sem autorização do Senado, a denúncia por crime contra a segurança do Estado por parte da Procuradoria, as rusgas sem mandado policial e a abertura de correio postal, a notificação a mais de 700 autarcas e rusgas em alguns dos seus gabinetes, o encerramento e bloqueio de páginas web, a retirada de propaganda do referendo e as ameaças aos media que informavam sobre a sua realização, a proibição e suspensão de sessões públicas de debate e, por fim, a ocultação dos motivos para as detenções e do paradeiro dos detidos. 

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