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Governo austríaco cai, novas eleições em setembro

Há duas semana, o vice-chanceler austríaco de extrema-direita demitiu-se após a divulgação de um vídeo em que discutia com uma suposta oligarca russa uma troca de favores políticos por dinheiro. Esta segunda-feira, a extrema-direita juntou-se à oposição e fez cair o governo de direita.
Chancelaria da Áustria, Viena. Foto Bwag/Wikimedia.
Chancelaria da Áustria, Viena. Foto Bwag/Wikimedia.

O governo austríaco caiu esta segunda-feira, um dia após as eleições europeias. Uma moção de censura apresentada pelo partido ecologista Jetzt/Lista Pilz teve o apoio de toda a oposição e também da extrema-direita, afastada do governo há duas semanas na sequência do escândalo Ibiza.

Ficou assim abreviada a 26º legislatura do país, que deveria terminar em 2022. Sebastian Kurz, o chanceler deposto, ficará como o mais jovem na história do país (32 anos) e também o que cumpriu a legislatura mais curta (525 dias).

Desde 2017, a Áustria foi governada por uma coligação entre o centro-direita do Partido Popular (ÖVP), liderado por Sebastian Kurz, e a extrema-direita do Partido da Liberdade (FPÖ), liderado por Heinz-Christian Strache, cuja grande figura no passado foi o falecido Jörg Haider. Em 2017, obtiveram 31% e 25% do voto popular. Na oposição ficaram os social-democratas do SPÖ (27%), o partido liberal NEOS (5%) e o partido verde Jetzt/Lista Pilz (4%), uma dissidência do partido verde que acabou por tomar o seu lugar no parlamento. Kurz tornou-se chanceler, Strache vice-chanceler.

A coligação direita/extrema-direita acabou por cair a semana passada com o escândalo Ibiza. Um vídeo divulgado pelos jornais alemães Der Spiegel e Süddeutsche Zeitung, filmado numa estância de férias em Ibiza em 2017, antes das eleições legislativas, mostrava Strache e o seu líder parlamentar Johan Gudenus a discutir com uma suposta sobrinha de um oligarca russo a possibilidade de apoio financeiro ao seu partido em troca do acesso a contratos públicos austríacos. Uma ideia discutida era a investidora russa comprar o tablóide Kronen Zeitung, o mais popular do país, com o objetivo de torná-lo pro-FPÖ. Mas a investidora russa afinal era uma estudante de agronomia, segundo divulgou o próprio Kronen Zeitung, e toda a história era um embuste. Quem terá organizado o embuste ainda não é inteiramente claro, e foi motivo de grande especulação na semana passada na imprensa austríaca e alemã.

Strache demitiu-se na sequência da divulgação do vídeo, e o líder parlamentar Gudenus foi expulso do partido. No entanto, as eleições europeias, logo após o escândalo, afetaram pouco o equilíbrio de forças políticas. O centro-direita ficou à frente com 34,5% dos votos (mais 7,5 pontos que nas eleições anteriores), seguido do centro-esquerda com 23,5%. A extrema-direita do FPÖ, apesar do escândalo, perdeu apenas 2 pontos e ficou em terceiro, com 17,5%. Após sair do governo, Strache recebeu votos preferenciais suficientes para rumar ao Parlamento Europeu se for essa a sua intenção.

Passadas as europeias, a extrema-direita juntou-se à oposição e fez cair o governo. O país ficará sob um governo de gestão até setembro, para quando estão previstas novas eleições.

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