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Governo argentino ataca Shell após subida de preços

A nova subida de 12% do preço dos combustíveis da empresa anglo-holandesa está a irritar o governo, que acusa o administrador da Shell de estar por detrás da especulação contra o peso argentino.
Entre acusações de conspiração e especulação cambial, e Shell e o governo estão de costas voltadas na Argentina.

O conflito que opõe o governo de Cristina Kirchner ao CEO do ramo local da multinacional petrolífera, Juan Jose Aranguren, não começou com o anúncio do aumento dos preços. Com o peso argentino sob forte pressão nas últimas semanas, tendo desvalorizado 15%, o governo acusou o empresário de ter dado uma ordem de compra de 3,5 milhões de dólares à cotação de 8,4 pesos por dólar, quando se negociava no mercado a 7,1 pesos, aumentando os rumores sobre uma nova queda do peso argentino.

O governo de Buenos Aires tem procurado travar a inflação através de acordos com empresas e sanções sobre outras que aumentam preços de forma que considera “injustificada”, alertando que terá mão dura contra a especulação nos preços e condenando a atitude “antipatriótica” de alguns comerciantes e empresários.

A subida do preço do dólar no mercado negro foi ainda mais acentuada e aumentou ainda mais a incerteza na população. “Os mesmos que nos disseram, durante 10 anos, que o dólar valia um peso, agora querem convencer-nos que vale 13 pesos”, acusou o ministro da Economia Axel Kicillof.

As principais críticas ao administrador da Shell na Argentina ficaram a cargo o ministro do Planeamento. Julio de Vido acusou Aranguren de “continuar a pensar que a rentabilidade dos combustíveis que produz na Argentina em pesos, com salários e matéria-primas em pesos, deve estar dolarizada, como se os vendesse no mercado global e não aos consumidores do país”.

“A atitude do responsável pela Shell não surpreende ninguém porque ainda há poucos meses avisou que ia esperar que o governo mudasse para investir. Não explicou que política queria, nem se era uma posição pessoal enquanto empregado de uma multinacional”, prosseguiu o ministro, citado pela agência de notícias Telam, e comparando a empresa com a pública YPF, que fez fortes investimentos e viu aumentar bastante a produção de petróleo e gás desde a  nacionalização que retirou a gestão à Repsol.

Juan Jose Aranguren defendeu a subida de preços com o aumento do preço das matérias-primas, enquanto o chefe de gabinete da presidente argentina classificou a atitude da Shell de “conspirativa e atentatória contra os interesses do país”.  Tanto a Shell como a YPF já tinham aumentado em 7% o preço dos combustíveis no início do ano, tendo agora o Governo dado instruções para a YPF manter os preços como forma de ajudar a controlar a inflação no país.

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