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Google quer cortar salários de trabalhadores em teletrabalho

O novo modelo de cálculo ataca o salário dos trabalhadores que vivem longe do local de trabalho, mas não afeta quem vive nas cidades apesar de estarem em teletrabalho.

Os trabalhadores da Google poderão ver o seu salário cortado se adotarem a residência como o seu local de trabalho permanente. A conclusão parte da análise do novo modelo de cálculo salarial, a que a Reuters teve acesso, onde se pode verificar que os trabalhadores que vivem em zonas mais longínquas do seu local de trabalho irão sofrer um corte salarial maior.

Várias empresas de Silicon Valley, tais como a Facebook ou Twitter, estão a experimentar diversas estratégias de ataque aos salários dos trabalhadores através do teletrabalho, cortando o salário de quem muda a sua residência para zonas mais baratas. Outras empresas, como a Reddit ou Zillow, adotaram modelos que não tomam como fator negativo a localização da residência do trabalhador.

Um trabalhador da Google, que prestou declarações ao The Guardian sob condição de anonimato por medo de retaliação, confirma que, vivendo num distrito adjacente a Seattle, que o obriga a uma deslocação de duas horas por carro, iria ser alvo de um corte de 10% do seu salário.

Considerando que a Google manteve os salários a 100% durante a pandemia, “não é como se a empresa não fosse capaz de garantir os salários aos trabalhadores que escolherem trabalharem de forma remota”, afirma ao Guardian o sociólogo Jake Rosenfeld.

Segundo a Reuters, trabalhadores que trabalhem a uma hora de comboio de Nova Iorque, poderão sofrer um corte de 15%. Em Seattle, Boston e São Francisco, os cortes irão variar entre os 5 e 10%. Crucialmente, trabalhadores que continuem a viver nas cidades, mesmo que em teletrabalho, não irão sofrer cortes salariais.

Em julho passado, cerca de 10 mil trabalhadores da Google requereram continuar em teletrabalho a tempo inteiro, tendo sido concedida a opção a 85%. Segundo um estudo da Universidade de Stanford aos trabalhadores destas empresas, apesar da produtividade ser cerca de 13% mais alta entre trabalhadores à distância e trabalhadores presenciais, sobretudo através do maior número de horas de trabalho que praticam, quem está em teletrabalho é promovido menos de metade das vezes que um trabalhador presencial. 

As novas fórmulas de cálculo salarial parecem assim agravar ainda mais uma situação de crescentes desigualdades entre os trabalhadores nestas empresas. 

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