Golpistas vandalizam Congresso e Supremo Tribunal no Brasil

08 de January 2023 - 20:41

Apoiantes de Bolsonaro ultrapassaram com facilidade o dispositivo de segurança montado por um governante de Brasília, ex-ministro de Bolsonaro, que em seguida saiu do país com destino a Orlando, onde se encontra o ex-presidente. É "o mesmo ódio à democracia dos apoiantes de Trump", diz Catarina Martins.

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Vandalismo dos golpistas em Brasília este domingo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma semana depois da tomada de posse de Lula da Silva na Presidência do Brasil, milhares de apoiantes de Bolsonaro repetiram o exemplo dos partidários de Trump após a derrota eleitoral nos EUA há dois anos. Este domingo, a manifestação em Brasília a favor do golpe militar contra a vontade expressa nas urnas terminou com a invasão das instalações do Palácio do Planalto, do Congresso Brasileiro e do Supremo Tribunal Federal, vandalizando o seu interior.

Enquanto decorria a invasão, que ocorreu sem grande resistência policial, circularam imagens nas redes sociais de agentes da polícia militar do Distrito Federal a tirarem fotos e a gravarem vídeos ou a comprarem água de coco em bancas de bebidas. O governador do Distrito Federal demitiu o secretário de segurança responsável pelo dispositivo no local, o bolsonarista Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, que foi de imediato acusado de ser o responsável pelo caos. Segundo a imprensa brasileira, Torres terá viajado em seguida para Orlando, onde está Jair Bolsonaro.

Nas redes sociais, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, repudiou "esses atos antidemocráticos, que devem sofrer o rigor da lei com urgência". Durante a semana, o ministro da Justiça brasileiro, Flávio Dino, afirmou que o seu colega da Defesa, José Múcio, tinha garantido que os acampamentos e mobilizações de golpistas estariam resolvidas até à passada sexta-feira.

A ação dos golpistas foi planeada nos últimos dias durante as concentrações de golpistas junto aos quartéis militares. E tal como sucedeu no ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2020, muitos dos participantes na invasão e vandalização dos edifícios públicos fizeram questão de se filmarem e fotografarem-se para partilha nas redes.

Numa declaração ao país, Lula da Silva decretou a intervenção federal no Distrito Federal para restabelecer a ordem pública. "Esses vândalos, que se podiam chamar nazistas fanáticos, fizeram o que nunca foi feito neste país. Essa gente terá de ser punida e vamos descobrir quem são os financiadores", prometeu o Presidente brasileiro.

"Houve incompetência e má-fé das pessoas que tratam da segurança do Distrito Federal", prosseguiu Lula, citando exemplos anteriores de ação policial complacente com os distúrbios de apoiantes bolsonaristas. "E se houve omissão de alguém do Governo Federal, também será punido", garantiu.

Poucas horas após a intervenção de Lula da Silva, a Polícia Militar do Distrito Federal desocupou os edifícios e prendeu algumas centenas de participantes nas ações de vandalismo.

Em comunicado, a direção do PSOL e a sua bancada no Congresso defenderam a intervenção federal entretanto anunciada por Lula, a destituição de Anderson Torres, o desmantelamento dos acampamentos e concentrações golpistas nos estados e um inquérito parlamentar à negligência das forças de segurança. O PSOL apelou ao reforço da mobilização popular contra o bolsonarismo para travar a extrema-direita no Brasil.

Catarina Martins: "É o mesmo ódio à democracia dos apoiantes de Trump"

Nas redes sociais, Catarina Martins publicou esta nota: "Seguidores de Bolsonaro invadem e destroem o Congresso, a sede do governo e o supremo tribunal brasileiros. O mesmo ódio à democracia dos apoiantes de Trump. O tempo é de todos os perigos. A ordem constitucional deve ser reestabelecida imediatamente", defendeu a coordenadora do Bloco.

Também o Partido da Esquerda Europeia reagiu aos acontecimentos em Brasília, condenando o ataque dos golpistas e esperando que "este ataque à democracia seja repelido rapidamente e sem perda de vidas".

Em declarações à RTP, o ministro dos Negócios Estrangeiros português João Gomes Cravinho reagiu aos acontecimentos em Brasília apontando as falhas de segurança do Distrito Federal, com um governo liderado por um apoiante de Bolsonaro. "Seria um momento importante se da parte dele houvesse uma palavra de repúdio em relação ao que se passa em Brasília", prosseguiu Gomes Cravinho.

Também Marcelo Rebelo de Sousa reafirmou à RTP o seu "repúdio com as ações flagrantemente ilegais inconstitucionais" e a solidariedade com o presidente eleito.