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Glifosato: Bayer vai pagar mais de 10 mil milhões de dólares

A Bayer quer encerrar 95.000 processos com que se confronta nos EUA, que têm origem nas acusações contra a Monsanto e o glifosato, considerado provavelmente cancerígeno. A gigante química alemã reserva mais mil milhões para outras indemnizações com o mesmo produto.
Áustria e Luxemburgo já baniram o uso do glifosato e na Alemanha o mesmo aconecerá em 2023
Áustria e Luxemburgo já baniram o uso do glifosato e na Alemanha o mesmo aconecerá em 2023

A Bayer anunciou nesta quarta-feira, 24 de junho, que vai direcionar 10 mil milhões para encerrar cerca 95 mil processos relacionados com o glifosato e o herbicida Roundup. O Glifosato há muito que foi considerado potencialmente cancerígeno (leia o artigo Por que é que o glifosato deve ser banido?), sendo produzido e comercializado pela Monsanto.

Em 2018, a Bayer comprou a Monsanto por cerca de 63 mil milhões de dólares (depois da autorização da UE e dos EUA. Ao comprar a Monsanto, a Bayer herdou também os processos que já existiam, nomeadamente nos EUA, contra aquela empresa, devido ao herbicida cancerígeno. Segundo a Deutsche Welle (DW), as ações judiciais relacionadas com o Roundup devem chegar a 125.000 processos nos Estados Unidos. O acordo que a Bayer anunciou depende de aprovação do Tribunal Distrital dos Estados Unidos, na Califórnia, e deve envolver 75% das ações judiciais. A Bayer vai reservar ainda mais mil milhões de dólares para outros eventuais acordos com queixosos.

O presidente-executivo da Bayer, Werner Baumann, declarou que "o acordo sobre o Roundup é a medida certa no momento certo para a Bayer acabar com um longo período de incerteza", enquanto o mediador do acordo, Ken Feinberg, disse que "a Bayer decidiu sabiamente solucionar o litígio em vez de tentar a sorte na Justiça americana".

Feinberg destacou ainda que cerca de 25.000 processos relacionados com o Roundup continuam sem solução.

Apesar dos riscos do glifosato para a saúde humana e dos processos e gastos que a Bayer está a enfrentar, a gigante química da Alemanha quer continuar a produção e venda do herbicida. E nem sequer planeia colocar uma advertência nas embalagens do Roundup, sobre eventuais riscos de cancro.

Porém, a rejeição do herbicida potencialmente cancerígeno é cada vez maior, sobretudo na Europa. Em julho de 2019, a Áustria foi o primeiro país da União Europeia a banir o glifosato completamente, por decisão parlamentar, e em janeiro deste ano foi a vez do Luxemburgo tomar igual medida.

a rejeição do glifosato é cada vez maior. Em julho de 2019, a Áustria foi o primeiro país da UE a bani-lo, em janeiro passado o Luxemburgo foi o segundo

A Alemanha decidiu, em 2019, tomar medidas para a redução sistemática do glifosato, a partir deste ano, e bani-lo definitivamente a partir de 2023.

Em Portugal, a proposta para proibir o uso glifosato em espaços públicos como jardins, parques infantis, hospitais, lares de idosos, escolas ou parques de campismo, foi a votos no parlamento em 2016, por iniciativa do Bloco de Esquerda e foi chumbada com os votos da direita e do PCP. Meses depois, o governo retomou a medida através de um decreto-lei, proibindo o uso de fitofármacos naqueles espaços públicos, salvo autorização da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária. As infrações passaram a ser punidas com multas até 22 mil euros.

A DW refere ainda que a Bayer decidiu outros gastos com processos judiciais: 400 milhões de dólares para processos contra produtos que usam o herbicida dicamba e mais 450 milhões para o bifenilpoliclorado (conhecido como PCB), um produto extremamente tóxico usado em fluidos elétricos que foi fabricado pela Monsanto até 1977.

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