Glasgow: escolas e creches fecharam para exigir igualdade salarial

24 de October 2018 - 15:52

A greve de 48 horas exige igualdade salarial e levou às ruas 8 mil trabalhadoras municipais, a maior greve do género na Grã-Bretanha. Tribunal do Trabalho já deu razão às trabalhadoras, mas estas continuam sem atualizações salariais.

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Glasgow: escolas e creches fecharam para exigir igualdade salarial
Saíram à rua mais de oito mil trabalhadoras municipais. Foto de Andrew McGowan.

Centenas de escolas e creches municipais em Glasgow, na Escócia, estiveram encerradas naquela que já é considerada uma das maiores greves para exigir igualdade salarial na Grã-Bretanha.

A greve de 48 horas incluiu mais de 8 mil trabalhadores e surgiu na sequência de anos de disputas legais entre sindicados e a Câmara Municipal de Glasgow sobre a baixa remuneração das profissões praticadas maioritariamente por mulheres, como é o caso das limpezas. As manifestantes deram o exemplo das mulheres de limpezas que ganham menos 3£ à hora que os trabalhadores da recolha de lixo, uma profissão com mais homens. Algumas afirmam que a diferença salarial chega a atingir as 4 000£ por ano.

Ao jornal Independent, os sindicados afirmam que as trabalhadoras estão a protestar contra a “falta de progresso” na área da igualdade salarial

A Câmara Municipal qualifica a greve como desnecessária e afirma esperar chegar a acordo nos próximos meses.

Segundo os sindicatos, vários trabalhadores municipais do sexo masculino recusaram-se a passar o piquete de greve em solidariedade com as mulheres em protesto.

No primeiro dia de greve encerraram 137 escolas primárias e 112 creches, a maioria dos estabelecimentos de ensino da cidade, embora o impacto tenha sido inferior nas escolas secundárias.

Em declarações ao Telegraph, Anna Murray, uma das trabalhadoras em greve, afirma esperar “há dez anos pela igualdade salarial e a câmara não parece estar a fazer nada nesse sentido, por isso estamos em greve para receber o mesmo salário. Sinto ser muito mal paga pelo trabalho que faço”.

“Esperamos que a Câmara acelere o processo e nos dê a igualdade salarial de que estamos à espera”, disse a supervisora de limpeza de uma biblioteca municipal.

“Isto dura há muito tempo, já fomos ao Tribunal do Trabalho e ganhámos sempre, mas a Câmara continua a não nos pagar o mesmo”, disse ao mesmo jornal Annette Tompson.