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Glaciares dos Andes perderam 42% da superfície nos últimos 30 anos

Segundo um estudo, os glaciares da cordilheira dos Andes diminuíram de 2.429 quilómetros quadrados em 1990 para 1.409 quilómetros quadrados em 2020. O estudo considera que este é o resultado das alterações climáticas e de outros fatores, como os incêndios florestais da Amazónia.
Glaciar Perito Moreno - foto de Rodrigo Soldon/flickr
Glaciar Perito Moreno - foto de Rodrigo Soldon/flickr

O estudo foi divulgado esta sexta-feira, 20 de maio de 2022, pela plataforma brasileira MapBiomas (https://mapbiomas.org/), que assinala que esta diminuição dos glaciares não tem precedentes e é resultado das alterações climáticas e de outros fatores.

Efrain Turpo, um dos autores do estudo, disse que a taxa de perda de glaciares na América do Sul é também uma consequência direta do carbono negro libertado pelos incêndios florestais na Amazónia. O investigador acrescentou que a redução da queda de neve afeta a integridade dos ecossistemas que dependem do ciclo da água, da agricultura, do abastecimento de água, da produção de eletricidade e mesmo do turismo.

María Olga Borja, também coautora salienta que o estudo mostra que a redução dos gases poluentes libertados pelos incêndios florestais tornou-se urgente para a América do Sul. "É urgente que os governos nacionais adotem medidas decisivas para combater a crise climática, incluindo políticas e programas de mitigação das alterações climáticas, principalmente nas bacias glaciares, para reduzir os impactos do derretimento dos glaciares", alertou.

A plataforma MapBiomas é uma iniciativa brasileira multidisciplinar que envolve várias organizações não-governamentais, universidades e empresas tecnológicas que mapeia a cobertura e as mudanças no uso do solo na América do Sul, principalmente no Brasil e na Amazónia. No estudo sobre a neve na cordilheira dos Andes participaram especialistas da Mapbiomas, da Universidad Nacional Agraria La Molina (Peru), do Instituto de Pesquisas em Glaciares y Ecosistemas de Montaña (Peru) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, Brasil).

Os resultados do estudo foram também destacados na revista científica Remote Sensing (https://www.mdpi.com/2072-4292/14/9/1974/htm ), que salienta: "Os glaciares dos Andes tropicais estão a sofrer uma rápida retração, com potenciais impactos ambientais, culturais e económicos para as populações locais".

A taxa de perda de glaciares na região tropical dos Andes (os situados entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio) é de 28,4 quilómetros quadrados por anos, sendo os mais afetados os situados a menos de 5.000 metros acima do nível do mar, que em 30 anos perderam 80,25% da sua área, revela o estudo.

O sociólogo Raúl Borja Núñez, também autor do estudo, sublinhou ainda que este fenómeno provoca também perda de bens culturais.

"As populações dos países andinos ainda hoje vivem numa simbiose única entre o telúrico, o emocional e o natural, de modo que as suas montanhas cobertas de neve fazem parte da sua visão do mundo e envolvem mitos, lendas, e práticas sociais e culturais ancestrais que sobrevivem até hoje", explicou o sociólogo.

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