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Gideon Levy recebe o mais importante prémio jornalístico de Israel

Para o comité do Prémio Sokolov, Levy “desafia o consenso israelita num trabalho corajoso no terreno” que eleva as vozes dos palestinianos na Cisjordânia e em Gaza. Nos seus artigos de opinião no Haaretz, o jornalista escreve sobre a injustiça da ocupação e critica as políticas de Israel.
O jornalista Gideon Levy. Foto publicada na sua página de Facebook.

O jornal diário israelita avança que Gideon Levy é um dos vencedores do prestigioso Prémio Sokolov de 2021, concedido pela cidade de Tel Aviv. Levy, que escreve para o Haaretz desde 1982, foi galardoado com o prémio de jornalismo impresso.

Na coluna semanal “The Twilight Zone”, que mantém desde a Primeira Intifada, Levy denuncia o sofrimento dos palestinianos nos territórios ocupados e a injustiça da ocupação. O jornalista critica veementemente as políticas de Israel, não se deixando intimidar pelas acusações de que tem sido alvo.

“O jornalista Gideon Levy desafia regularmente o consenso israelita num trabalho corajoso no terreno que eleva os testemunhos e histórias daqueles que não recebem exposição adequada na discussão dos media locais - as vozes dos palestinos na Judeia, Samaria e, no passado, na Faixa de Gaza”, assinala o comité do prémio Sokolov.

Levy “apresenta posições originais e independentes que não se rendem às convenções ou códigos sociais e, ao fazê-lo, enriquece o discurso público sem medo”, lê-se na decisão deste comité.

O Haaretz revela alguns dados biográficos de Levy. Filho de pais que imigraram da Europa para a Palestina após os nazis chegarem ao poder, Gideon Levy nasceu em Tel Aviv em 1953. Os seus avós foram assassinados no Holocausto. A sua carreira jornalística teve início na Rádio do Exército em 1974 como repórter e editor. Em 1978, foi nomeado assessor e porta-voz de Shimon Peres.

Sobre a sua juventude, Levy escreveu: “Eu era como todos os israelitas: sofria de uma lavagem cerebral, convencido da nossa retidão, certo de que éramos Davi e eles eram Golias, sabia que os árabes não amam os seus filhos como nós (e talvez nem um pouco), e que eles, ao contrário de nós, nasceram para matar”.

Levy começou a trabalhar para o Haaretz em 1982, como editor adjunto do jornal. Em 1988, surge a sua coluna “The Twilight Zone”. Tudo começou com um pedido do ex-membro do Knesset David (Dedi) Zucker, que lhe propôs que o acompanhasse numa viagem. Foram ver oliveiras que tinham sido arrancadas no bosque de uma mulher palestiniana idosa na Cisjordânia.

“Assim começou, gradualmente e sem premeditação, 30 anos de cobertura dos crimes da ocupação”, escreveu Levy.

De acordo com Levy, tal como acontecia à época, hoje as suas reportagens são alvo de inúmeras críticas. "O próprio ato de cobrir este tópico é visto como um crime por muitos israelitas. O próprio facto de tratar os palestinianos como vítimas e chamar os crimes [por esse nome] é visto como traição. Até mesmo descrever os palestinianos como seres humanos é considerado provocatório em Israel”, escreveu Levy.

O jornalista critica regularmente as ações do exército israelita na Cisjordânia e em Gaza, inclusive durante missões e operações especiais. Levy é frequentemente acusado de ter uma escrita unilateral, e, por vezes, até de apoiar o terrorismo. Nos últimos meses, Levy irritou membros da esquerda depois de publicar vários artigos a elogiar o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Não se pode ignorar que Netanyahu tem sido um dos primeiros-ministros mais circunspectos no uso da força militar", escreveu, apontando que Netanyahu é um "estadista eloquente e impressionante".

Levy já recebeu vários prémios, entre os quais o prémio Emil Grunzweig de Direitos Humanos, o prémio Sparkasse Leipzig para a liberdade e o futuro dos media e o prémio Olof Palme, juntamente com o pastor palestiniano Mitri Raheb, pela sua "luta corajosa e infatigável contra a ocupação e a violência".

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