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“A geração mais qualificada foi formada pela escola pública"

Marisa Matias afirmou que “sem um ensino universal, de qualidade e inclusivo não há democracia” e criticou os rankings das escolas “que querem comparar aquilo que é incomparável”.
Foto de Paulete Matos

Num jantar-comício em Lisboa, que teve lotação esgotada, Marisa Matias levantou-se para defender a escola pública, ao sublinhar que “a geração mais qualificada de sempre de Portugal foi formada pela escola pública”. A candidata explicava que não falava de “matéria de opinião” mas de “matéria de facto”, criticando os rankings que considerou serem “um embuste grotesco” utilizados para “comparar aquilo que é absolutamente incomparável: escolas que escolhem os seus alunos com escolas que estão nas zonas e nos sectores de maior exclusão social”.

O verdadeiro ensino de excelência tem um nome: escola universal, de qualidade e inclusiva

Para Marisa Matias o ensino de excelência tem um nome, “a escola universal, de qualidade e inclusiva”, sem a qual não há democracia, e lembrou que todo o seu percurso escolar, até ao doutoramento, foi feito na escola pública, “com boas notas” e com colegas oriundos de todo o tipo de famílias, com quem aprendeu “o convívio, a mistura e a vida em coletivo”.

A candidata, que iniciou a sua intervenção em língua gestual portuguesa para dizer “boa noite e obrigada pelo vosso apoio”, afirmou ainda que “hoje temos felizmente uma esperança renovada no nosso país”, com “gente que se dá, mas que não se vende”.

Já Mariana Mortágua considerou Marisa Matias “uma candidata única”, “que faz o que diz e não deixa nada por dizer”, e sublinhou que apesar de o Presidente da República não ter os poderes de um primeiro-ministro, também “não é um espectador”, e que caberá cada vez mais ao Presidente “defender o povo português, o Estado português e os seus instrumentos para fazer valer e garantir a Constituição dos ataques e das chantagens das instituições europeias”.

A Marisa "faz o que diz e não deixa nada por dizer", Mariana Mortágua

Foto de Paulete Matos

A deputada bloquista criticou alguns dos adversários de Marisa Matias na corrida a Belém, ao lembrar que Marcelo, apesar de jurar defender a Constituição, quando era Presidente do PSD “não só votou contra o SNS, como tentou aniquila-lo mais tarde”; também Maria de Belém jura defender a Constituição mas admite “dissolver a AR e demitir o Governo se as exigências europeias estiverem em causa”, e lembrou que "ao contrário de candidatos como Sampaio da Nóvoa, a Marisa assume que cada vez mais o papel do Presidente da República será o de confrontar e desobedecer às instituições europeias".

Sobre Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP, lembrou que Marisa Matias “nunca se calou quando o regime angolano atentou contra os direitos de Luaty Beirão e dos seus companheiros”, considerando que “um Presidente da República não pode ser cúmplice pelo silêncio de qualquer [cidadão] atento aos direitos humanos em qualquer parte do mundo”.

Já o líder da grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, criticou os “que querem desvalorizar a Presidência da República” para pôr em Belém “quem lhes faz favor todos os dias”, e acusou Marcelo Rebelo de Sousa de ser um político camaleão e “um lobo com pele de cordeiro”.

A sessão em Lisboa, que decorreu na Voz do Operário, juntou mais de 400 apoiantes e contou ainda com a intervenção da escritora Filomena Marona Beja.

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