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“Generalizar a comunicação em Língua Gestual Portuguesa contra o gueto linguístico”

“Passaram-se quase vinte anos e a igualdade de oportunidades ainda é uma miragem para as pessoas surdas”, salientou Jorge Falcato Simões na apresentação de projetos do Bloco de Esquerda sobre a aprendizagem da Língua Gestual Portuguesa.
"Espero que o dia de hoje seja o primeiro passo para garantir que estes écrans estejam sempre activos reconhecendo e dignificando o acesso à informação da comunidade surda", afirmou o deputado bloquista Jorge Falcato Simões
"Espero que o dia de hoje seja o primeiro passo para garantir que estes écrans estejam sempre activos reconhecendo e dignificando o acesso à informação da comunidade surda", afirmou o deputado bloquista Jorge Falcato Simões

Na sua intervenção no Parlamento, o deputado bloquista começou por referir as pessoas que não conseguem comunicar com quem encontram na rua ou que não conseguem ir ao hospital e explicar os sintomas que os afligem.

“Imaginem que querem falar com os vosso pais e eles também não falam a vossa língua”, sublinhou o parlamentar, acrescentando que “esta é a vida das pessoas surdas em Portugal”.

“A Constituição reconhece também a Língua Gestual Portuguesa enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades” avançou, tendo ainda sublinhado que “passaram-se quase vinte anos e a igualdade de oportunidades ainda é uma miragem para as pessoas surdas”.

Para o deputado, enquanto não for generalizada a comunicação em Língua Gestual Portuguesa estaremos a manter pessoas num "gueto linguístico”

Acabar com a separação entre alunos surdos e ouvintes”

Jorge Falcato Simões frisou, desta forma, a necessidade de por termo à separação entre alunos surdos e ouvintes, para que seja possível “o convívio, o namoro, a ajuda nos estudos entre quem ouve e não ouve”.

De acordo com o deputado as escolas de referência têm de proporcionar aulas de Língua Gestual Portuguesa a todos os alunos ouvintes que as queiram frequentar.

Neste sentido Jorge Falcato Simões afirmou que as escolas poderão transformar-se em núcleos difusores da língua gestual portuguesa abrindo-se, desta forma, à comunidade envolvente e assim contribuir para a construção de um território mais inclusivo.

Nesta linha de pensamento, o deputado propôs que seja acrescentado aos conteúdos programáticos das atividades de enriquecimento curricular um novo conteúdo, ou seja, a língua gestual portuguesa.

Defender a dignidade dos professores de Língua Gestual Portuguesa

“Esta oferta em idades mais precoces possibilitará uma maior proximidade e naturalidade na aprendizagem da língua gestual”, disse.

O deputado bloquista referiu-se ainda aos professores de Língua Gestual Portuguesa, tendo afirmado a que estes “ têm tanta dignidade quantos os outros porque “ ensinam uma língua tão digna quanto as outras”.

“Não se compreende porque são contratados como técnicos e não como professores”, declarou.

Para Jorge Falcato Simões esta situação é prejudicial para os alunos em função do atraso nestas contratações e também é geradora de instabilidade na carreira destes profissionais cuja situação de precariedade não permite que saibam o que lhes vai acontecer no ano seguinte.

“É fundamental e urgente a criação de um grupo de recrutamento para docentes de língua gestual portuguesa”, afirmou.

Jorge Falcato: “Generalizar a comunicação em língua Gestual Portuguesa contra o gueto linguístico”

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