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Gaza: OMS teme que as doenças se tornem mais mortíferas que as bombas

Na avaliação feita às estruturas de saúde durante a trégua, a porta-voz da OMS considerou a situação "crítica". Falta de alimentos, água e saneamento são os problemas de saúde mais graves na Faixa de Gaza.
Palestinianos aproveitam a trégua para rumar ao sul ou regressar ao norte para tentar encontrar familiares que lá ficaram. Foto Mohammed Saber

“Começaremos a ver mais pessoas a morrer de doenças do que de bombardeamentos se as necessidades mínimas de saúde da vida não forem atendidas novamente”, disse a porta-voz da Organização Mundial de Saúde, Margaret Harris, citada pela agência Efe, após a primeira avaliação da situação no território com o início da trégua.

Se os problemas de saúde mais graves identificados pela OMS em Gaza são agora a falta de alimentos, água e saneamento, a organização aponta também a escassez aguda de profissionais de saúde, a falta de consultas médicas e a acumulação de lixo ao redor dos hospitais, que também têm sido usados por civis como abrigos. As doenças respiratórias e a diarreia preocupam a OMS, pois sem tratamento uma criança pode morrer em pouco tempo devido à desidratação.

A trégua foi também aproveitada pela OMS para levar material médico, como equipamentos de trauma para tratar feridos pelas explosões. A ajuda humanitária também entrou em Gaza nestes dias, mas em quantidade muito insuficiente para dar resposta às necessidades.

Desde o início da trégua e até à manhã de quarta-feira, o Hamas libertou 60 reféns israelitas, 19 tailandeses, um filipino e um russo-israelita, o único homem com cidadania israelita e que trabalhava como técnico de som no festival de música atacado pelo Hamas. Segundo o Guardian, a exceção foi justificada pelo Hamas como um gesto de agradecimento pela posição de Vladimir Putin sobre o conflito em Gaza e mais reféns russos podem sair em breve à margem da trégua acordada com Israel.

Das prisões israelitas saíram 180 mulheres e jovens, mas no mesmo período Israel prendeu pelo menos 133 palestinianos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, levando a que o número de palestinianos presos por Israel tenha diminuído apenas em menos de 50 pessoas. Segundo a Al Jazeera, desde 7 de outubro as tropas israelitas mataram na Cisjordânia pelo menos 242 palestinianos - incluindo 57 crianças, uma mulher e seis prisioneiros que tinham sob custódia - e três mil ficaram feridos.

Na manhã de quarta-feira, a polícia dispersou uma manifestação de familiares dos reféns em frente ao Knesset em Jerusalém, onde continuam acampados exigindo que o Governo negoceie a sua libertação e traga todos de volta a casa. A mãe de um dos reféns foi detida durante o protesto. Ao mesmo tempo, na audiência semanal no Vaticano, o papa Francisco renovou o seu apelo à paz e à continuação da trégua na Faixa de Gaza, a libertação de todos os reféns e o acesso da ajuda humanitária ao território, chamando a atenção para a falta de água e pão e para o sofrimento das pessoas que ali sobrevivem.

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