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Gás: Finalmente conhecidos os ganhos escondidos pela Galp

Os contratos de revenda internacional de gás que a Galp escondeu até agora rendem mais de mil mihões. Bloco diz que a contribuição da empresa tem de aumentar já neste Orçamento, para que os consumidores possam sentir o rapidamente o alívio nas faturas.
Unidade autónoma de gás
Unidade autónoma de gás. Foto Galp Energia

A Galp vai lucrar 1158 milhões de euros com a revenda do gás natural adquirido através de contratos com a Nigéria e a Argélia, quando a empresa tinha a concessão pública de importação.

As contas reveladas esta quarta-feira pelo jornal Público são da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e foram feitas após a análise dos dois contratos que a Galp sempre se recusou a entregar, até setembro deste ano, alegando confidencialidade comercial.

Os "ganhos comerciais" da Galp com estes dois contratos rondam os 68 milhões de euros entre 2010 e 2026. Mas a empresa sempre se recusou a reconhecer estas mais valias, que deveriam refletir-se na redução do preço pago pelos consumidores na fatura do gás.

Por causa destes contratos, o governo anterior fixou uma taxa extraordinária de 150 milhões de euros – a pagar em três anos pela Galp – um montante encontrado a partir de estimativas que não tinham em conta o valor real dos ganhos que a empresa conseguiu esconder do regulador até agora. O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, não escondeu a sua "satisfação" pelo fim dum processo que se arrastava há seis anos. Em declarações ao Público, sublinhou terem sido “cruciais as diligências encetadas pelo actual Governo para assegurar a entrega destes contratos" por parte da Galp junto da ERSE.

Bloco quer "corrigir a contribuição a cobrar à Galp" já neste Orçamento

Reagindo à divulgação destes números,  o deputado bloquista Jorge Costa diz que eles "mostram que os ganhos acumulados ilegitimamente pela Galp são 35% superiores ao estimado pelo governo anterior".

“É agora necessário corrigir a contribuição a cobrar à Galp, para que os consumidores possam ter na fatura do gás o alívio correspondente”, afirmou Jorge Costa ao esquerda.net, lembrando que "Portugal pratica os preços de gás natural mais elevados da Europa".

Para o deputado do Bloco, “o processo do Orçamento do Estado para 2017 é uma boa oportunidade para essa alteração".

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