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Galp sustenta distribuição de dividendos em dívida e venda de ativos, acusa a CT

A denúncia é da Comissão Central de Trabalhadores da empresa, que pergunta “como pode uma empresa/grupo distribuir mais riqueza que aquela que produz?” e questiona também: “até quando esta realidade será encoberta e protegida pelo Governo e pelo Presidente da República?”
Faixa com a frase "Petrogal vírus da exploração basta de despedimentos" - Foto da CGTP
Faixa com a frase "Petrogal vírus da exploração basta de despedimentos" - Foto da CGTP

A Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal afirma que a administração da Galp “sustenta a distribuição de dividendos relativos aos exercícios de 2019 e 2020 em dívida e na venda dos ativos da Galp Gás Natural Distribuição [GGND], um caminho que ficou comprovado levar à destruição da empresa e ser contrário aos interesses nacionais”. No mesmo comunicado, divulgado na passada sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021, a CCT refere que os resultados de 2020 “comprovam um estilo de gestão errática, que não aponta um caminho autónomo de desenvolvimento e sustentação do negócio”.

Em comunicado que enviou na passada segunda-feira, 22 de fevereiro, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários a administração informou que a Galp Energia teve em 2020 um prejuízo de 42 milhões de euros, enquanto em 2019 tinha tido um lucro de 560 milhões de euros. Apesar do prejuízo em 2020, a administração propõe à Assembleia Geral da empresa que sejam pagos 35 cêntimos por ação em dividendos aos acionistas, significando um total de 290 milhões de euros.

A CCT da Petrogal afirma que “a única estratégia identificável na gestão desta administração Amorim reside exclusivamente no governo em função dos dividendos distribuídos aos acionistas, que teve como ponto de partida a Assembleia-Geral de 24 de abril de 2020”.

E, pergunta: “até quando esta realidade será encoberta e protegida pelo Governo e pelo Presidente da República?”. O Jornal Económico lembra, em notícia sobre o comunicado da CCT da Petrogal, que o Estado, através da Parpública, detém 7% do capital da Galp.

Dividendos suportados em dívida”

“A CCT apreciou o relatório de resultados do Grupo e tentou encontrar resposta para a pergunta que qualquer pessoa de bom senso faz, como pode uma empresa/Grupo distribuir mais riqueza que aquela que produz? Uma leitura atenta do documento dá-nos a resposta: a dívida aumentou 631 milhões de euros, correspondendo à duplicação do rácio divida líquida/EBITDA (RCA)”, refere o comunicado.

E a CCT acusa: “Querendo isto dizer que os dividendos distribuídos aos acionistas em abril de 2020 foram na íntegra suportados em dívida, o que abriu caminho à descapitalização da empresa”, acrescentando que “relativamente ao exercício de 2020, a questão dos dividendos continua a ter uma centralidade inaceitável e deixa antever, para 2021, a continuação da política de destruição da empresa/grupo”.

Venda de ativos para alimentar os acionistas”

O comunicado dos representantes dos trabalhadores refere ainda que “a administração sustenta a distribuição de dividendos relativos a 2020 na venda de 75,01% da participação da GGND e respetivo encaixe de 368 milhões de euros, no primeiro trimestre deste ano, o que, na prática, corresponde à venda de ativos para alimentar os acionistas”.

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