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GALP avança para despedimento coletivo na refinaria de Matosinhos

A administração da petrolífera anunciou que para 150 trabalhadores o caminho é o despedimento coletivo. Comissão de Trabalhadores não se conforma com a solução e exige o rearranque da refinaria.
Imagem aérea da refinaria de Matosinhos.
Imagem aérea da refinaria de Matosinhos. Foto Galp.

O administrador da GALP confirmou esta quinta-feira à agência Lusa que o despedimento coletivo será a forma como a empresa irá dispensar 150 trabalhadores da refinaria agora encerrada, com os quais não chegou a acordo para a rescisão do vínculo laboral. Ao todo, a empresa reuniu com cada um dos 401 trabalhadores da refinaria a propor condições para a sua saída ou manutenção noutros serviços.

Desses 401, houve 40% a aceitar o acordo e destes, “mais de 100 continuarão a sua atividade, quer no parque logístico de Matosinhos, que manterá as suas funções de abastecimento ao mercado de combustíveis do Norte do país, quer por via da mobilidade interna para as áreas das renováveis, inovação, novos negócios e também para a refinaria de Sines”, afirmou Carlos Silva.

Segundo o administrador, mais de 30% do total dos trabalhadores continuarão nas instalações pelo menos até janeiro de 2024 para os trabalhos de desmantelamento e descontinuação.

Esta quinta-feira, a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal afirmou em comunicado que “parar as unidades não retira nada ao acerto e justiça das pretensões dos trabalhadores” e prometeu continuar a luta pelo rearranque da refinaria de Matosinhos, dada “a importância estratégica para o país” deste equipamento.

“O primeiro-ministro continua a lavar as mãos do assunto"

Os trabalhadores apontaram o dedo ao primeiro-ministro António Costa e ao ministro do Ambiente Matos Fernandes, afirmando que “os governantes desmentem-se na praça pública, tal é o frenesim gerado em torno da tão almejada transição energética que se faz à volta dos negócios chorudos do lítio e do hidrogénio”.

“O primeiro-ministro continua a lavar as mãos do assunto, sem que se lhe tenha ouvido uma palavra sobre esta matéria tão importante para o país, ou relacionada com a distribuição de dividendos aos acionistas”, prossegue o comunicado. Apesar de o Estado português ser acionista da GALP, não se conhece nenhuma posição pública acerca da salvaguarda dos seus postos de trabalho.

Sobre a hipótese dos despedimentos, o coordenador da Comissão, Helder Guerreiro, deixou claro que “com refinaria ou sem refinaria, a preservação dos postos de trabalho é um imperativo: o Grupo Galp tem 7.000 trabalhadores e tem todas as condições para absorver os colegas de Matosinhos”.

Os trabalhadores criticam ainda a colocação de trabalhadores “aqui ou acolá”, por esta “não satisfazer minimamente as pretensões de salvaguarda de todos os postos de trabalho”.

A última unidade de produção da refinaria da GALP de Matosinhos foi desligada na passada sexta-feira, com o administrador a justificar que “não existindo racionalidade ambiental nem económica para este ativo, a decisão teve que ser tomada”

 

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