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Fundos especulativos lucram milhares de milhões com a queda das ações

Nas últimas semanas, a instabilidade registada no sistema financeiro, onde o comportamento de rebanho e a reação imediata às notícias domina as tendências, tem significado perdas para a maioria dos investidores. Mas há exceções.
The City, distrito financeiro de Londres. Foto: Sam Lo/Flickr
The City, distrito financeiro de Londres. Foto: Sam Lo/Flickr

Nas últimas semanas, os mercados financeiros têm oscilado entre quebras sem precedentes e recuperações importantes no espaço de poucos dias. A volatilidade do preço das ações é normal num sistema altamente instável, onde o comportamento de rebanho e a reação imediata às notícias domina as tendências. Ainda assim, em geral, os investidores têm registado perdas desde que a crise começou, à semelhança de empresas e famílias. Mas há exceções.

Alguns fundos de investimento tiveram lucros avultados nos últimos tempos. É o caso do Universa, fundo especulativo de Miami, na Flórida (EUA), que apostou na queda do mercado e teve um lucro de 4114% - sim, leu bem, 4114% com o colapso bolsista provocado pelo surto de coronavírus. Outro destes fundos, o Ruffer Investments, teve um lucro de 2,19 mil milhões de euros com este tipo de “investimento de proteção”, em que os fundos fazem um contrato que equivale a um seguro contra riscos. Também o Odey Asset Management fez um anúncio a garantir que teve o maior lucro de sempre em março.

Este tipo de investimento especulativo já fora revelado durante a última crise financeira de 2007-08, quando alguns investidores que apostaram no colapso do mercado se tornaram milionários. Esta prática tem merecido críticas de vários setores da sociedade, que consideram inaceitável que se lucre com uma crise que está a afetar profundamente a vida de todos.

Frances O’Grady, diretora-geral do TUC, um dos maiores sindicatos britânicos, teceu duras críticas a estes ganhos: “fundos de investimento a lucrarem milhares de milhões enquanto os profissionais de saúde e cuidados, que estão a arriscar as suas vidas, mal conseguem pagar as contas, é um sinal de uma economia fraturada”. O’Grady disse que é necessário “reconstruir uma economia mais justa” e defendeu que “os super-ricos têm de pagar a sua contribuição justa” para a sociedade.

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