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Fundos de investimento provocam aumento forte do preço de terrenos agrícolas

Em média, em dois anos, os terrenos aumentaram 40%. O país é atrativo devido aos preços mais baixos do que em Espanha e porque se antevê uma escassez alimentar que atrai a procura de lucro de curto prazo no setor.
Terra agrícola. Foto de Américo Meira/Flickr.
Terra agrícola. Foto de Américo Meira/Flickr.

Terrenos agrícolas nacionais estão a ser comprado por fundos de investimento internacional, inflacionando assim fortemente o seu preço. Segundo o Expresso, “russos, chilenos e espanhóis” investem em Portugal devido aos preços comparativamente mais baixos relativamente a Espanha e “antevendo uma escassez alimentar”.

Pelas contas deste semanário, os preços dos terrenos agrícolas aumentaram, num espaço de dois anos, em média, 40%. A distribuição desta subida varia consoante a zona do país, sendo o Algarve o mais afetado. Em Tavira, por exemplo, está-se a comprar o hectare a 120 mil euros, um aumento neste período de dois anos de 100%. Em dez anos, a subida dos preços de terrenos agrícolas nesta localidade atingiu 2400%. Para além da escassez de terras, aponta-se como causa a “rentabilidade de culturas como o abacate e a laranja”.

Também nos Açores e no Minho os preços dispararam. O jornal falou com José Martino empresário agrícola e consultor na área do agronegócio que aponta como causas específicas, nestas zonas, a “estrutura de minifúndio” e a dificuldade em “comprar terra que nestas regiões ainda é símbolo de estatuto social”. Mesmo terrenos rústicos com pouca capacidade produtiva “viram os preços disparar nos últimos dois anos” porque “a terra agrícola é um refúgio de investimento, seguro e durável”.

Francisco Palma, presidente da Associação dos Agricultores do Baixo Alentejo, salienta Aveiro, Leiria e Beja como distritos de grande procura mas confirma a ideia que o que se passa é “transversal a todo o país”. Responsabiliza diretamente os fundos de investimento, como franceses e russo, pela “elevada procura por terrenos de regadio”.

Martino confirma que faz negócios, no caso dele com investidores chilenos, produzindo kiwis e pistáchios, mas “a fraca dimensão da propriedade” no Minho, “onde os solos são muito produtivos” é um entrave e “é difícil encontrar terra disponível”.

Também na região Oeste os fundos de investimento entram em força, ocupando já mais de 40% da terra. Thomas Teixeira da Mota, “Diretor de Agribusiness para o Sul da Europa” da consultora CBRE salienta a entrada de fundos de investimento europeus, do Canadá e dos Estados Unidos, “institucionais, oriundos de pensões ou assentes em dívida bancária”.

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