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Fundação de Serralves: trabalhadores denunciam represálias

Educadoras e educadores acusam a fundação de Serralves de censura e retaliação, por terem denunciado os “incumprimentos éticos” da fundação, que nega as acusações. Deputado José Soeiro aponta que “há muita sujeira nestas instituições”.
Foto do protesto junto à Casa da Música
Foto do protesto junto à Casa da Música

Processo de dispensa não assumido”

Em comunicado à imprensa, 20 educadoras e educadores da Fundação de Serralves alertam que a instituição pode “estar a proceder a um processo de dispensa não assumido dos educadores que denunciaram os incumprimentos éticos da Fundação de Serralves”.

Os trabalhadores explicam que, em 20 de março, propuseram atividades em teletrabalho, que essas propostas “foram desenvolvidas dentro dos prazos estabelecidos e foram aprovadas pela Fundação de Serralves, que no entanto não as publicou nem apresentou nenhuma justificação para não o fazer”. Segundo os trabalhadores, “este ato censório, impedindo a publicação destas propostas dos educadores, foi diretamente ordenado pela Presidente do Conselho de Administração Ana Pinho, como retaliação por terem sido feitas por pessoas que assinaram a carta de denúncia e repúdio pela atitude da Fundação de Serralves para com os seus trabalhadores externos permanentes”.

Os educadores de Artes de Serralves solidarizam-se com os trabalhadores da Casa da Música e apelam publicamente a que o Governo actue perante as represálias e a censura destas instituições

Referem ainda que foram informados por alguns colegas, que o “trabalho da equipa foi profundamente alterado”, na preparação da exposição da Yoko Ono, recentemente inaugurada. “Em todas as exposições anteriores toda a equipa era chamada a estar presente em reuniões de formação e preparação”, desta vez “a Coordenação contactou apenas 4 dos 25 educadores, informando apenas estes que seriam os únicos educadores a participar na reunião e a realizar atividades nesta exposição até ao seu encerramento”. Os trabalhadores concluem que “na prática resulta no afastamento de 21 educadores, sem que este lhes seja sequer comunicado, nomeadamente as duas educadoras que foram pagas pela FS para orientar esta formação à equipa”.

Em reunião, com as representantes dos educadores, “o diretor do museu, a diretora administrativa e financeira e a coordenadora do SE Artes” referiram a “vontade de continuar a contar com os nossos serviços” e disseram que “as informações veiculadas na imprensa seriam segundo Serralves ‘factos alternativos’ e que teriam sido muito prejudiciais à imagem da Fundação, pelo que seria aconselhável suspendermos essa divulgação”.

“É do entendimento da equipa que o facto de retirarem ou não publicarem as propostas solicitadas, e de não nos convocarem por termos denunciado as más práticas laborais da FS atenta contra os nossos direitos fundamentais de manifestação e de denúncia como trabalhadores e como cidadãos”, afirmam os/as educadores/as.

A concluir, frisam: “Não podemos deixar de fazer aqui uma menção aos nossos colegas na Casa da Música, também eles alvo de uma atitude profundamente repreensível e condenável por parte da sua instituição. Os educadores de Artes de Serralves solidarizam-se com os trabalhadores da Casa da Música e apelam publicamente a que o Governo actue perante as represálias e a censura destas instituições”.

Fundação de Serralves nega

Em resposta ao Expresso, a Fundação de Serralves “nega veementemente todas as acusações” dos trabalhadores, afirma que “não é legítima a utilização desbragada de argumentos falsos, calúnias e insinuações da maior gravidade”, garante que nenhum dos subscritores do comunicado ou qualquer outro “prestador de serviços externo”, “foi alvo de represália ou afastado depois de ter denunciado supostos incumprimentos”. Ao Público, a resposta da Fundação de Serralves foi semelhante, referindo que entre os convidados a apresentar propostas “estão vários dos que, nos últimos dias, têm participado em vigílias”, “colocando em causa, de uma forma completamente irresponsável e falsa, a reputação e o bom nome de Serralves, apresentando argumentos falsos e ardilosos de forma a confundir a opinião pública”.

 

Em post publicado na sua página do facebook, o deputado bloquista José Soeiro afirma “Há muita sujeira no modo como tratam quem trabalha, na dificuldade que têm em aceitar que os precários não são escravos mas pessoas com direito a pensar e a ter direitos”.

Gente maioritariamente do mundo dos negócios”

Em artigo publicado no Expresso, José Soeiro explica quem são os gestores da Casa da Música e refere que “muitas destas instituições” são dirigidas: “por gente que vem maioritariamente do mundo dos negócios, que replica as piores práticas empresariais, que pouco tem a ver com a cultura, que faz uma rotação endogâmica nestes e noutros cargos de poder, que nem fala com os trabalhadores e que se está nas tintas para as suas condições de vida e de trabalho”.

O presidente do Conselho de Administração da Casa da Música é José Pena Amaral, que “foi administrador do BPI e da Allianz”.

A presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves é Ana Pinho, desde 2016, que tem um currículo com origem na banca e nos negócios (ver notícia do Público de 25 de setembro de 2018). A presidente do CA da Fundação de Serralves é filha do empresário Armando Pinho, presidente do grupo industrial Arsopi e é sobrinha de Ilídio Pinho, fundador da Colep, que posteriormente vendeu a empresa ao grupo RAR.

Ana Pinho é casada com o atual dono da RAR, João Nuno Macedo Silva.

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