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Fuga de metano nos EUA causa mais gases de efeito de estufa do que vários países europeus

O primeiro satélite construído para monitorizar fugas de metano descobriu que uma explosão desconhecida numa exploração de gás através do método de fracking, propriedade de uma subsidiária da Exxon Mobil, causou mais gases com efeito de estufa “do que a maioria das nações europeias num ano nas suas indústrias de petróleo e gás”.
Fracking no Dacota do Norte, EUA, dezembro de 2012.
Fracking no Dacota do Norte, EUA, dezembro de 2012. Foto de Geof Wilson/Flickr.

O satélite Sentinel-5P não parecia destinado a ser famoso. O seu objetivo era monitorizar para investigação científica, a partir do espaço, fugas de gás metano. Até que se encontrou com um evento também ele desconhecido: uma fuga de gás, em fevereiro de 2018, em Belmont, no Ohio, e que não tinha chegado a ser notícia. Exceto localmente, uma vez que cerca de cem moradores num raio de quilómetro e meio tiveram de ser evacuados.

As medições feitas através deste satélite provaram que desta fuga resultou a libertação de mais de 50 mil toneladas de gás metano para a atmosfera. Uma emissão que, em vinte dias, causou mais emissões de gases com efeito de estufa do que “maioria da maior parte das nações europeias o fazem num ano através das suas indústrias do petróleo e do gás”. Os números apresentados pela Exxon eram muito mais baixos mas a empresa acabou por dar razão aos valores avançados pelas medições por satélite.

Esta investigação foi publicada esta segunda-feira na revista científica norte-americana “Procedimentos da Academia Nacional de Ciências”. Segundo o gestor desta missão da Agência Espacial Europeia, Claus Zehner, o estudo prova a importância da tecnologia espacial enquanto instrumento de deteção deste tipo de poluição. Para além, acrescenta-se, mostra que a dimensão das fugas de metano pode ter sido subvalorizada.

Apesar do dióxido de carbono ser mais comummente associado ao aquecimento global, os especialistas sublinham que o metano é trinta vezes mais potente a causar o efeito de estufa e que o clima responde a mudanças no metano mais rapidamente. É produzido sobretudo pela indústria de combustíveis fósseis, aterros, pecuária e extração de gás e petróleo.

Um estudo da Universidade de Cornell, publicado na revista “Biogeosciences” e divulgado em agosto deste ano, ia precisamente no sentido desta descoberta. A exploração de gás de xisto através do método de fratura hidráulica, denominado como fracking, “aumentou dramaticamente” as emissões de metano na década passada. Um terço das emissões deste gás nesse período foi proveniente do fracking. O mesmo estudo avisava que se este aumento continuasse aos mesmos níveis haveria isso teria efeito no aquecimento global.

Robert Howarth, um dos seus autores principais, explicou que a libertação de metano na atmosfera “contribuiu para algum do aumento do aquecimento global a que assistimos e o gás de xisto é um elemento central”. O estudo aconselhava a “afastar-nos o mais rapidamente possível do gás natural”, assinalando que este não serve como elemento de transição para tecnologias mais limpas.

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