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França: Escândalo com candidato da direita às eleições presidenciais

François Fillon, o candidato que ganhou as primárias da direita francesa, está a ser investigado pela justiça por ter pago 600 mil euros à esposa por um emprego no parlamento onde ela nunca trabalhou.
Nicolas Sarkozy e François Fillon, então presidente e primeiro-ministro de França, respetivamente - 2010
Nicolas Sarkozy e François Fillon, então presidente e primeiro-ministro de França, respetivamente - 2010

François Fillon é um destacado político do partido de direita Les Républicains (ex-UMP e ex-RPR), desde 1981. Foi durante vários mandatos deputado, presidente de Câmara, Presidente de Conselho Regional, ministro (entre 1993 e 1997 e entre 2002 e 2007) e primeiro-ministro entre 2007 e 2012, durante a presidência de Nicolas Sarkozy. Em novembro passado, foi escolhido em primárias candidato da direita francesa às presidenciais de 2017, derrotando Alain Juppé e Nicolas Sarkozy.

Fillon cria falso emprego no parlamento para a mulher

A denúncia foi feita nesta quarta-feira pelo semanário Le Canard Enchaîné. Segundo o jornal, François Fillon deu emprego à sua mulher, a inglesa Penelope Fillon, como assessora parlamentar, durante vários anos. Segunda a denúncia ela terá recebido no total 600.000 euros, mas nunca terá tido qualquer trabalho no parlamento. O jornal sublinha que ninguém conhecia Penelope como assessora parlamentar, ou se cruzou com ela no trabalho.

O jornal refere que Penelope terá recebido um vencimento bruto de 3.900 euros mensais, entre 1998 e 2002, e 4.600, durante seis meses de 2012, como assistente parlamentar do marido, enquanto ele era deputado. Entre 2002 e 2007, Penelope receberia 7.900 euros brutos mensais como assessora do deputado Marc Joulaud, que substituiu Fillon, enquanto este era ministro.

Um porta-voz do candidato da direita às presidenciais francesas negou que o emprego de Penelope Fillon fosse fictício, posteriormente o próprio candidato negou qualquer irregularidade e acusou o jornal de misoginia. Fillon tinha feito da defesa da transparência, um elemento essencial da sua campanha.

A justiça francesa está a investigar o candidato por “uso indevido de fundos públicos”.

Em França, deputados empregam familiares como assessores

O facto de Fillon ter empregado a esposa não é ilegal em França. O escândalo provém do facto de ela nunca ter trabalhado como assessora e ganha ainda mais relevo pelo facto de o vencimento da senhora Penelope subir de forma exponencial.

As declarações de Penelope (ao dizer que nunca se envolveu nas campanhas políticas do marido) dão reforçada credibilidade à denúncia do semanário. Em outubro de 2016, Penelope Fillon afirmou ao jornal Le Bien Public: “Até agora, nunca me envolvi na vida pública do meu marido.”

Hamon propõe que deputados deixem de poder contratar familiares

Alguns candidatos já se pronunciaram sobre o escândalo Fillon. A candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, disse que não queria "fazer parte da política de bombas de mau cheiro", enquanto Manuel Valls, ex-primeiro-ministro e candidato às primárias do PS, cuja segunda volta se realiza no próximo domingo, afirmou: "não se pode ser o candidato da honestidade e transparência e não responder".

Benoît Hamon, que ganhou a primeira volta das primárias do PS, propõe que os deputados deixem de poder empregar e remunerar familiares. "Os deputados deviam deixar de poder contratar os filhos, primos, mulheres ou outros familiares", declarou Benoît Hamon.

Em 2014, o Médiapart deu a conhecer que na Assembleia Nacional francesa 115 deputados (em 577) empregavam familiares no parlamento, nomeadamente 52 esposas, 28 filhos e 32 filhas.

As sondagens na primeira quinzena de janeiro de 2017

Nas sondagens (link is external) divulgadas este mês em França, os candidatos às presidenciais francesas de 2017 apresentam os seguintes intervalos de valores:

François Fillon (direita) 23% a 28%
Marine Le Pen (extrema-direita, FN) 22% a 27%
Emmanuel Macron (social-liberal) 16% a 24%
Jean-Luc Mélenchon (esquerda) 11,5% a 15%
Manuel Valls (PS) 9% a 13%
Benoît Hamon (PS) 6% a 7% - venceu a primeira volta das primárias do PS
François Bayrou (MoDem, direita) 5% a 8%
Yannick Jadot (EELV, verdes) 1% a 3%
Nicolas Dupont-Aignan (direita) 1% a 2,5%
Philippe Poutou (esquerda, NPA) 0,5% a 2,5%
Nathalie Arthaud (esquerda, LO) 0,5% a 1,5%
Jacques Cheminade – de 0,5%

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