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França: Bloqueio de refinarias em vésperas de greve geral

Greves contra a reforma das pensões não têm fim à vista. Esta terça-feira começou um bloqueio de quatro dias nas refinarias francesas e a sede do fundo financeiro BlackRock foi alvo de um protesto por parte dos trabalhadores dos transportes. Para quinta-feira está agendada uma nova paralisação nacional.
Foto de IAN LANGSDON, EPA, Lusa.

A nova ronda de negociações entre o governo francês e os sindicatos sobre a polémica reforma do sistema de pensões, que visa aumentar a idade da reforma e nivelar por baixo os regimes especiais de pensões existentes até agora, terminou sem avanços nesta terça-feira. O primeiro-ministro Edouard Philippe voltou a garantir que não vai retirar a proposta, como exigem várias estruturas sindicais. Uma nova reunião foi agendada para a próxima sexta-feira, dia 10.

"As greves não estão perto de parar", declarou Catherine Perret, uma das líderes da CGT (Confédération générale du travail).

As organizações sindicais CGT, FO (Force Ouvrière), FSU (Fédération Syndicale Unitaire), CFE-CGC (Confédération Française de l'Encadrement), Solidaires (Union syndicale Solidaires), Unef (Union Nationale des Étudiants de France) e UNL (Union Nationale Lycéenne) convocaram um novo dia de paralisação nacional contra a reforma para esta quinta-feira, dia 9 de janeiro. Para dia 11, sábado, estão ainda agendadas manifestações em todo o país.

"Pedimos a todos os franceses que se mobilizem e entrem em greve, porque o sinal de alarme deve tornar-se mais forte face a um Presidente que acredita que está tudo bem no país", apelou Philippe Martinez, secretário-geral da CGT.

Já a CFDT (Confédération française démocratique du travail), a estrutura sindical mais à direita e habitual parceiro de negociações dos governos, coloca a hipótese de aceitar a proposta do executivo, caso a “idade de 'equilíbrio'” seja "retirada do projeto de lei".

Uma sondagem realizada pela empresa Harris Interactive esta segunda-feira mostrou que 60% dos franceses continuam a apoiar a greve.

Quatro dias de bloqueio nas refinarias

Esta terça-feira, a filial química da central sindical CGT deu início a quatro dias de greve nas refinarias.

“Durante 96 horas, não haverá entrega de combustível da refinaria [de Donges], seja por oleoduto, barco, comboio ou camião", garantiu um dirigente da CGT, citado pelo jornal Ouest France. Quanto à CIM, o depósito marítimo de petróleo em Le Havre, Thierry Defresne, representante sindical da Total, garantiu que a mesma também estará encerrada nas próximas 96 horas. "Os aeroportos de Orly e Roissy [os principais de Paris] não serão abastecidos", acrescentou.

O Governo francês já anunciou que enviará polícias para as refinarias para evitar interrupções no fornecimento de combustível.

Sede da BlackRock alvo de protesto

Na linha da frente contra a reforma, os trabalhadores da SNCF (Société Nationale des Chemins de Fer Français) e da RATP (Régie Autonome des Transports Parisiens), empresa responsável pelos transportes públicos em Paris e nos seus arredores, completam esta terça-feira 34 dias em greve. Esta paralisação nos transportes já é a mais longa da história do país, superando a mobilização de 1986-1987, quando os trabalhadores da SNCF permaneceram em greve por 28 dias consecutivos.

Várias dezenas de grevistas da SNCF e da RATP concentraram-se a meio do dia na sede de Paris do fundo financeiro BlackRock, considerado um cavalo de Troia da reforma de pensões do executivo francês. O fundo, que se fixou em França em 2006, orgulha-se de administrar “27,4 mil milhões de euros em nome de seguradoras, fundos de pensão, instituições oficiais, empresas, bancos tradicionais e digitais, bem como fundos de doações”.

Reagindo à condecoração, a 1 de janeiro, de Jean-François Cirelli, presidente do BlackRock francês, que passou a ser oficial da Legião de Honra francesa, os trabalhadores tentaram entregar uma "medalha de desonra" ao fundo e exigir a retirada da proposta do governo. Alguns manifestantes conseguiram furar o bloqueio da polícia e ocuparam o hall do edifício durante dez minutos. De acordo com Bérenger Cernon, chefe da CGT-Cheminots na Gare de Lyon, os trabalhadores saíram por sua iniciativa, por forma a evitar maiores confusões.

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