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França: 30 detidos em homenagem a jovem morto após intervenção policial

Manifestações de homenagem a Steve Maia Caniço, jovem lusodescendente morto na sequência de uma carga policial polémica, reuniram centenas de pessoas em Nantes e Paris contra a violência policial. Em Nantes, houve confrontos com a polícia e 30 detidos.
Manifestação em homenagem a Steve Maia Caniço, Nantes, 3 de Agosto de 2019. Foto: Yoan Valat/EPA/Lusa.
Manifestação em homenagem a Steve Maia Caniço, Nantes, 3 de Agosto de 2019. Foto: Yoan Valat/EPA/Lusa.

Centenas de pessoas manifestaram-se nas ruas e mais de 30 foram detidas este sábado, no seguimento de uma manifestação em Nantes contra a violência policial e em homenagem ao lusodescendente Steve Maia Caniço, que morreu em circunstâncias controversas após uma carga policial, num caso que está a desencadear grande polémica e debate no país.

Há cerca de duas semanas, na noite de 21 para 22 de julho, a polícia de Nantes fez uma intervenção para interromper uma festa repleta de jovens no âmbito da Fête de la Musique da cidade. A intervenção foi violenta, com uso de balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar os presentes. Vários jovens caíram ao rio Loire, alguns afirmam ter ficado cegos devido ao uso do gás lacrimogéneo. Steve Maia Caniço, um jovem de origem portuguesa de 24 anos, foi um dos que caiu ao rio nessa noite e desapareceu. O seu corpo foi encontrado na passada segunda-feira, 29 de julho, mais abaixo no rio.

O caso colocou as forças policiais francesas sob enorme crítica. Ao início desta tarde, perto do local onde Steve Maia Caniço foi encontrado, casais com carrinhos de bebé, crianças em bicicletas, idosos, centenas de pessoas de todas as idades juntaram-se em protesto, envergando faixas negras no braço em sinal de protesto. Uma jovem de 25 anos presente na manifestação declarou à agência AFP: "Batemos nas pessoas que se divertem, atiramos-lhes gás lacrimogéneo, atiramos-lhes os cães... Eu respeito a polícia, mas o seu trabalho é manter as pessoas em segurança, não colocá-las em perigo". Um outro manifestante de 42 declarou: "quanto mais pessoas estiverem, maior será a pressão para chegar à verdade. É chocante a maneira como isto é tratado a nível político. Parece que estamos a tentar abafar o caso. Nunca ninguém é responsável”.

Os manifestantes fizeram um minuto de silencio em memória de Caniço e marcharam depois até ao centro da cidade. Segundo imagens o canal "BFM TV", um grupo seguiu depois até a uma esquadra de polícia, onde se registou confrontos com as forças policiais, que responderam com canhões de água e mais gás lacrimogéneo, e adiantaram ter detido acima de 30 pessoas

Em Paris também houve manifestações em solidariedade com Nantes. O movimento dos coletes amarelos, que continua a fazer manifestações, solidarizou-se esta tarde com um minuto de silêncio e faixas com faixas a proclamar "Steve, morto pela polícia", e a exigir a demissão do ministro da administração interna. Por volta das 14 horas, uma outra manifestações de "Rosas Brancas por Steve", lançada nas redes sociais pelo psicólogo e escritor Manuel Dock, exigiu também justiça pelo jovem falecido.

As autoridades, que no início negaram qualquer relação entre a carga policial e a morte de Caniço, adotaram entretanto uma posição mais cautelosa. A 24 de julho o ministério do interior anunciou a abertura de um inquérito à atuação da polícia. "Homicídio involuntário" é uma das suspeitas em investigação. Esta sexta-feira, o ministro do interior, Christophe Castaner, admitiu que há dúvidas sobre a adequação do uso de gás lacrimogéneo na intervenção.

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