Em comunicado, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) considera “natural” a demissão de Marta Temido de ministra da Saúde, atendendo à “indisfarçável incapacidade do Ministério da Saúde em abordar os problemas do Serviço Nacional de Saúde”. A estrutura representativa dos médicos afirma ainda que seria “importante” que fossem clarificados os motivos que originaram esta demissão “sob pena de voltarmos a enfrentar o mesmo tipo de obstáculos”.
“Mais relevante do que a demissão da atual ministra da Saúde é que esta venha acompanhada por uma efetiva mudança de políticas, o que implica a vontade e a capacidade para implementar medidas estruturais em defesa do SNS, dos cuidados de saúde aos utentes e das condições de trabalho dos médicos e outros profissionais de saúde” afirma a FNAM.
Consideram ainda que é “imperativo” que esta demissão não leve ao adiamento das negociações iniciadas em julho “a muito custo”, tendo em vista uma nova grelha salarial bem como “a revisão das carreiras médicas, a criação do estatuto de penosidade e risco acrescido, a implementação de um novo e verdadeiro regime de dedicação ou a valorização do trabalho em serviço de urgência.”
“As soluções para o SNS e para a melhoria das condições de trabalho dos médicos” não podem ser mais uma vez adiadas, refere a FNAM, acrescentando que “a saúde dos cidadãos em Portugal não pode continuar à espera”.