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FMI alerta para subida acentuada dos preços dos imóveis em Portugal

Estudo de economistas do Fundo Monetário Internacional divulgado nesta semana assinala que preços dos imóveis estão a voltar a níveis pré-crise. Portugal registou a 15ª maior subida anual entre mais de 60 países analisados.
A subida dos preços dos imóveis, também pressionada pela entrada de investidores estrangeiros, não tem vindo a ser acompanhada por um aumento correspondente nos rendimentos das famílias, que se veem condenadas a um maior esforço para comprar ou arrendar uma habitação. Foto de Paulete Matos.

No relatório, citado pelo Diário de Notícias (DN), Hites Ahir e Prakash Loungani destacam que “entre 2007-08, os preços dos imóveis colapsaram, marcando o início da crise. Agora, o índice de preços de habitação do FMI mostra que estamos quase de volta a preços pré-crise".

Segundo os economistas, chegou a hora de apertar a vigilância para se evitar o erro de considerar "que desta vez é diferente".

Ahir e Loungani apontam, contudo, que a evolução dos preços não está a registar-se de forma sincronizada em todos os países e cidades, ao invés do que aconteceu no período pré-crise, e que atualmente já contamos com alguma regulação para combater estas "bolhas".

Os economistas do FMI distinguem três comportamentos distintos entre os 57 países analisados. Em 18 países, os preços diminuíram com a crise e assim persistem. Já outros 18 países registaram igualmente a queda dos preços, mas agora sobem consideravelmente. Os restantes 21 países verificaram uma diminuição ligeira dos preços, que revalorizaram logo.

Portugal insere-se no segundo grupo. Os imóveis em Portugal valorizaram 6,4% no último ano, situando-se na 15ª posição no que respeita à subida anual de preços. Isto apesar da contração do crédito em Portugal e do quase congelamento dos rendimentos médios no país, realça o FMI.

"Muitos dos booms no imobiliário foram alimentados pelo excesso de crescimento do crédito", lembram Ahir e Loungani avançando, contudo, que atualmente está em causa a falta de oferta.

"Mesmo que os preços subam só devido à oferta, o impacto no endividamento das famílias pode ser adverso para a estabilidade financeira", alertam.

A subida dos preços dos imóveis, também pressionada pela entrada de investidores estrangeiros, não tem vindo a ser acompanhada por um aumento correspondente nos rendimentos das famílias, que se veem condenadas a um maior esforço para comprar ou arrendar uma habitação.

O relatório dos economistas dos FMI surge após o Conselho Europeu para o Risco Sistémico (CERS) ter alertado na semana passada oito países por identificar nos mesmos "vulnerabilidades no setor imobiliário a médio prazo" suscetíveis de provocar um impacto sistémico na estabilidade da região.

Tal como lembra o DN, também o ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Carlos Tavares, alertou em outubro para a excessiva valorização do imobiliário: "Outros mercados, que no pré-2007 tinham escapado às bolhas imobiliárias (...), têm hoje comportamentos de preços que dificilmente poderão deixar de ser classificados como ‘bolhas’".

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