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Flávio Bolsonaro acusado de organização criminosa

O filho mais velho do presidente brasileiro foi acusado pelo Ministério Público por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O senador Flavio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, conversam com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.
O senador Flavio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, conversam com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

Como o seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, Flávio fez campanha dizendo querer “limpar” o país da corrupção. Esta terça-feira foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Junto com ele, estão 15 ex-assessores e o ex-polícia Fabrício Queiroz, atualmente em prisão domiciliária.

A acusação pública é relativa ao esquema montado pelo atual senador quando era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro “empregava” falsamente assessores, que eram pagos com o dinheiro público. Ou seja, desviava dinheiro público para as suas contas privadas, servindo-se de pessoas que declaravam trabalhar para ele.

Esse dinheiro, que superou os dois milhões de reais em onze anos, entre 2007 e 2018, era depositado pelos funcionários fantasma na conta de Queiroz. Depois, diz a acusação, seria “lavado” através da compra de imóveis e de uma loja de chocolates.

O senador é assim acusado de ser o chefe da organização criminosa, tendo em Fabrício Queiroz o operacional que recrutava pessoas com as quais tinha relações de parentesco, vizinhança ou amizade. Os acusados têm agora 15 dias para dar resposta à acusação.

A pergunta continua: quem mandou matar Marielle?

A investigação reforça as ligações do ex-polícia e da família Bolsonaro com o criminoso que é suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco. Adriano Magalhães da Nóbrega foi um miliciano que tinha sido capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais, a força de operações especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, líder do "Escritório do Crime". A organização criminosa dedicava-se à expropriação ilegal de terras, à cobrança de “taxas” à população e à recetação de mercadoria roubada.

Nóbrega era suspeito de estar envolvido no assassinato de Marielle e do seu motorista Anderson Gomes e foi morto no decurso de uma operação policial em fevereiro passado. A sua ex-mulher, Danielle Nóbrega, e a sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, participaram do esquema dos falsos funcionários e a rede de pizzaria de Raimundo também sido utilizada.

Depósitos na conta de Michelle Bolsonaro não estão explicados

Fabrício Queiroz, agora preso, também efetuou 27 depósitos no valor de 89.000 reais, na conta de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente da República.

Também o segundo filho de Bolsonaro tem coisas por explicar neste processo. Carlos Bolsonaro pagou, em dinheiro vivo, quando tinha apenas 20 anos, um apartamento no valor de 150.000 reais. Também a proveniência desta verba é questionada.

Uma prática comum entre os Bolsonaro: Eduardo Bolsonaro, o terceiro filho do presidente, terá usado semelhante verba, em 2011 e 2016 para pagar dois apartamentos no Rio de Janeiro.

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