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Fiscais das “secretas” alertam para extremistas da “supremacia branca”

O relatório anual de 2019, agora divulgado, alerta para o perigo do "extremismo violento" associado a grupos organizados de "supremacia branca", bem como o terrorismo e insegurança cibernética.
“Secretas” alertam para extremistas da “supremacia branca” e “aceleracionistas”
Fotografia de cordyceps/Flickr.

O Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações da República (CFSIRP) divulgou um alerta para os riscos de “extremismos violentos” de grupos conotados com a “supremacia branca” e radicais do chamado “aceleracionismo”.

O alerta consta no parecer anual de 2019 do CFSIRP, agora divulgado, que destaca também as ameaças como o terrorismo, “não apenas o de matriz islamista jihadista”, os extremismos, insegurança cibernética, as criminalidades organizadas, a espionagem, sabotagem e subversão.

No campo sobre “extremismos violentos”, o parecer afirma estar “atento a uma tendência externa que vai ganhando evidência”, entende “destacar agora a criminalidade protagonizada por grupos extremistas conotados, seja com a insurreição organizada, seja com posturas identitárias e mesmo de supremacia branca, enquadradas por uma congeminação – radicalizada, torneada aos seus objetivos e convertida em ‘slogan’ – do chamado aceleracionismo”.

O aceleracionismo é definido pela Lusa, citando o jornal britânico Guardian, como uma corrente marginal, baseada na ideia de que o sistema capitalista deveria expandir-se, ou seja, acelerar, para causar uma mudança social radical.

O parecer não entra em mais pormenores sobre esta questão, mas faz outra advertência quanto aos riscos do “terrorismo” de “matriz islamista jihadista”, uma das “preocupações centrais dos serviços de informações portugueses, face à muito notória disseminação por novos e vastos territórios da jihad global protagonizada (em termos efetivamente operacionais ou através de processos de radicalização muito assimétricos) pela Al Qaida e pelo grupo Estado Islâmico e respetivas estruturas afiliadas”.

As organizações que as autoridades associam à Al Qaida ou ao Estado Islâmico, alerta-se no relatório do conselho de fiscalização, “têm demonstrado uma assinalável resiliência e a realidade patente em várias zonas do continente africano, que não apenas na região do Sahel, deve reclamar a preocupação da comunidade internacional, da Europa e de Portugal”, noticia a Lusa.

O documento não apresenta novas propostas, mas reforça as já apresentadas no relatório do primeiro trimestre de 2019: uma "revisão global" do "enquadramento normativo" das "secretas" para o adaptar "às atuais exigências de segurança nacional", embora não sejam apresentados quaisquer detalhes.

Segundo a Lusa, o conselho de fiscalização também sugeria uma adaptação urgente da chamada lei dos "metadados" para a adaptar ao "chumbo" do Tribunal Constitucional (TC), insistindo em propostas que já fez em 2019. A lei foi aprovada em 2017 com os votos contra dos partidos de esquerda, e o TC pronunciou-se já por duas vezes sobre o diploma.

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