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Filme sobre luta contra patriarcado ganha prémio em Genebra

"Vera Dreams of the Sea", da kosovar Kaltrina Krasniqi, foi galardoado com Grande Prémio de Ficção no Festival de Direitos Humanos de Genebra. O filme aborda a profunda desigualdade de género dos nossos tempos.
"Vera Dreams of the Sea", da kosovar Kaltrina Krasniqi.

A edição 2022 do Festival Internacional de Cinema e Fórum sobre Direitos Humanos, que teve lugar em Genebra, terminou a 13 de março.

Da lista de galardoados consta "Vera Dreams of the Sea". O filme da kosovar Kaltrina Krasniqi ganhou, a parte de "Freda", da realizadora Gessica Généus, do Haiti, o Grande Prémio de Ficção.

Vera é uma intérprete de língua gestual de meia-idade, que leva uma vida bem estruturada: é “esposa de um juiz renomado, mãe solidária e avó carinhosa”. A sua vida é interrompida pelo suicídio do seu marido, após o qual Vera toma o destino da família nas suas próprias mãos. Para reclamar a herança, Vera enfrenta a realidade de um regime profundamente patriarcal que a quer ver despojada dos seus bens e da sua dignidade.

"Quando fazemos um filme, pensamos no público, obviamente, e depois pensamos nas pessoas de uma certa geração que se interessam pelo tema em questão. O prémio da Juventude significa muito para mim, porque significa que outras gerações mais jovens se identificam com a história da geração dela”, afirmou Kaltrina Krasniqi em declarações à Euronews.

Esta co-produção entre Kosovo, Albânia e Macedónia do Norte é a primeira longa-metragem de Krasniqi, que já tinha realizado várias curtas-metragens e documentários. O filme é dedicado à sua mãe, também chamada Vera, inspirada na sua luta pela liberdade económica após o divórcio.

No final do filme, as três gerações de mulheres representadas - Vera, a sua filha Sara e a sua neta reúnem-se simbolicamente na mesma cama num ato de sororidade e força.

Pobreza e alterações climáticas em “Demónios Invisíveis”

O Festival Internacional de Cinema e Fórum sobre Direitos Humanos também premiou o documentário “Demónios Invisíveis”, de Rahul Jain, que retrata a forma como Nova Deli está a ser afetada pela poluição e os efeitos das alterações climáticas. E como os habitantes mais pobres da cidade indiana são os mais afetados.

"Demónios Invisíveis para mim é como uma sensação de estar no topo de uma lagarta gigante chamada civilização capitalista. É uma montanha-russa que não pára. O filme nasce do medo de estarmos numa posição em que sentimos que não há outra forma de continuar a viver senão assim. É algo interminável, e implacável", referiu o realizador Rahul Jain.

“Tortura Branca”: Repressão e resistência no Irão

Em “Tortura Branca”, Narges Mohammadi, advogada e ativista dos direitos humanos atualmente detida no Irão, denuncia práticas de tortura contra presos políticos no país, cujas sequelas psicológicas se provam, muitas vezes, irreparáveis.

"Na minha opinião, este filme representa a repressão do Estado contra os prisioneiros de consciência e os prisioneiros políticos no Irão. Mas ao mesmo tempo representa a resistência, porque a repressão continua, mas a resistência do povo também continua", afirmou Shirin Ebadi, ativista e Prémio Nobel da Paz 2003, embaixadora do filme de Narges Mohammadi.

 

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