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Filhos de François Fillon receberam 84 mil euros de assessoria parlamentar

O Canard Enchaîné revela que, para além da mulher, também os filhos de François Fillon receberam salários do parlamento francês. No total, a família recebeu quase 1 milhão de euros.
Nicolas Sarkozy e François Fillon, então presidente e primeiro-ministro de França, respetivamente - 2010
Nicolas Sarkozy e François Fillon, então presidente e primeiro-ministro de França, respetivamente - 2010

O candidato do Partido Republicano às presidenciais em França continua submergido por uma sucessão de revelações que colocam a sua ética pública em causa. Criou primeiro um falso emprego para a mulher enquanto era deputado, pagando-lhe somas que inicialmente se pensava ser 600 mil euros mas, segundo as autoridades, estarão mais próximas dos 900 mil euros. 

Agora, o Le Canard Enchaîné revela que também os filhos foram assessores parlamentares, recebendo cerca de 84 mil euros enquanto o pai era senador entre 2005 e 2007. O próprio François Fillon revelou na semana passada que contratou os filhos para serviços de advocacia, apesar de nenhum dos dois ter terminado a formação em Direito na altura. 

O mesmo tipo de explicações foi apresentado por Fillon em relação à mulher, defendendo que a contratação era absolutamente legal dado que Penélope trabalhava a partir de casa. No entanto, nenhum dos dois conseguiu ainda apresentar provas de que Penélope desempenhou realmente funções ou realizou algum trabalho para François Fillon. 

Enquanto assistente do marido, Penélope recebia entre 3,9 e 4,6 mil euros mensais. Mas quando Fillon passou para o governo em 2002, entrega o seu mandato a Marc Jouland que por sua vez aumenta o salário de Penélope para 6,9 mil euros mensais. 

Acresce que Penélope recebeu também um salário de 5 mil euros mensais da Revue de Deux Mondes, uma revista cujo dono é amigo de Fillon. Sucede que, segundo o ex-diretor da revista, Penélope terá escrito apenas dois artigos no ano e meio em que foi contratada. O dono da revista justificou a contratação, dizendo que Penélope era “conselheira literária” mas, novamente, sem apresentar provas de qualquer atividade significativa. 

O caso está a ser alvo de investigação pelas autoridades, com buscas a decorrer no parlamento e interrogações a todos os indiciados, sendo que o testemunho de Marc Jouland será pivotal para o caso. 

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