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Festival Marés Vivas ameaça processar ambientalistas

O impacto do festival de música Marés Vivas na Reserva Natural do Estuário do Douro foi denunciado por ambientalistas, criticando a escolha do local. Os organizadores respondem com a ameaça de processar o movimento cívico na origem da denúncia.
Danos ambientais do festival Marés Vivas indignam ambientalistas. Foto SOS Estuário do Douro.

A decisão da Câmara Municipal de Gaia de autorizar a realização de um festival de música junto à Reserva Natural do Estuário do Douro foi recebida com surpresa pelos cidadãos que se juntaram no movimento cívico SOS Estuário do Douro. O movimento reuniu com a Câmara e os promotores do Festival MEO Marés Vivas, manifestando a sua indignação e sugerindo locais alternativos, mas sem sucesso.

“Organizar um festival de música paredes meias com uma reserva natural é, só por si, uma prova de falta de sensibilidade ambiental, em época de nidificação”, refere o comunicado da SOS Estuário, acrescentando que a realização do festival no Vale de Sampaio “constitui uma ameaça fortíssima que pode destruir em poucos dias o trabalho feito durante anos.

“O elevado ruído, a enorme movimentação de pessoas e viaturas durante vários dias, vai seguramente afastar as aves, facto agravado pela realização nocturna do festival, obrigando-as a voos no escuro confundidas pelos potentes projetores do festival”, prosseguem os ambientalistas, que apelam aos patrocinadores e artistas para que retirem o seu apoio e desistam de atuar no festival Marés Vivas.

Em resposta às denúncias, a empresa promotora do festival ameaça agora processar os autores da denúncia, porque "em termos legais tudo está correto" e que a viabilidade foi assegurada por pareceres do Ministério do Ambiente e da autarquia. "Isto é um ato de terrorismo”, queixou-se à Lusa Jorge Lopes, representante da empresa.

Serafim Riem, dirigente da associação FAPAS e membro do movimento cívico que se opõe à realização do festival naquele local, não deixou a ameaça dos promotores sem resposta: “Se os senhores do Meo Marés Vivas nos pensam que nos assustam com as suas ameaças e a sua linguagem ofensiva estão muito enganados. Dão-nos mais força e a sua atitude é sinónimo de desespero”, escreveu o ambientalista no Facebook. 

A realização deste festival junto a uma área protegida também levou o Bloco de Esquerda a pedir explicações ao governo no início do mês. Os deputados Jorge Costa e Luís Monteiro querem saber o que o Ministério do Ambiente fará para minimizar o impacto do festival e qual a avaliação que foi feita a este local e a localizações alternativas para a realização da edição deste ano do festival Marés Vivas.

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