Famílias do Bairro 6 de Maio ocuparam Ministério do Ambiente

21 de November 2018 - 21:43

Esta quarta-feira os moradores, com o apoio de várias associações, ocuparam pacificamente o Ministério do Ambiente para reivindicar soluções de habitação digna para todas as famílias cujas casas foram demolidas e que estão agora a viver em condições inaceitáveis.

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Foto retirada da página de facebook da Habita.

Conforme é assinalado no comunicado divulgado pela associação Habita65 – Associação pelo Direito à Habitação e à Cidade, as pessoas desalojadas do 6 de Maio vivem hoje em condições miseráveis, algumas em garagens outras em barracas, e não têm tido qualquer resposta por parte dos poderes públicos.

“A Câmara da Amadora nunca se disponibilizou para solucionar o problema. O IHRU prometeu, recentemente, realojamento para as famílias que ainda estão a viver no bairro, mas deixou de fora aquelas que já tinham sido desalojadas e que estão sem solução habitacional”, lê-se no documento.

A autarquia e o IHRU são acusados de estarem mais preocupados “em limpar os terrenos para a especulação imobiliária do que em resolver o gravíssimo problema social e habitacional das pessoas que já sofreram a violência de ver as suas casas destruídas”.

O 6 de Maio, não é, contudo, exemplo único. Outros bairros e milhares de pessoas esperam e desesperam por uma habitação.

“O Governo tem de levar a sério o problema da habitação e não o está a fazer. A falta de orçamento e a recusa em regular o mercado mostra que governo está apenas a defender os interesses da especulação e do imobiliário e viola os direitos e responsabilidades a que está obrigado na defesa das pessoas”, defende a Habita, que assinala que o Governo e a Assembleia da República “têm feito tudo por bloquear a discussão sobre a necessidade fundamental de regular o mercado e de controlar a especulação”.

A associação refere que é “inaceitável que perante as necessidades urgentes e crescentes de habitação pública, o orçamento total para habitação no Orçamento de Estado para 2019 seja apenas de 0,21 % do total de despesas com funções do Estado”.

No final do protesto, as associações e moradores do 6 de Maio foram informados que haverá reunião marcada para o dia 3 com o Ministro do Ambiente, a Secretaria de Estado da Habitação e a Câmara da Amadora.