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Falta de água pode atingir os 80% na Europa do Sul

Para um cenário de um aumento médio da temperatura global em 3,4ºC até 2100, em relação ao período entre 1961-1990, os resultados mostram que a Europa do Sul será a zona mais afetada. Na Península Ibérica, sul de França, Itália e Balcãs, os caudais podem ser reduzidos em 40% e os períodos de défice hídrico podem atingir os 80%. Por Rita Calvário

No passado mês de Janeiro foi publicado um estudo que modela os possíveis impactos das alterações climáticas sobre os recursos hídricos. Para um cenário de um aumento médio da temperatura global em 3,4ºC até 2100, em relação ao período entre 1961-1990, os resultados mostram que a Europa do Sul será a zona mais afetada. Na Península Ibérica, sul de França, Itália e Balcãs, os caudais podem ser reduzidos em 40% e os períodos de défice hídrico podem atingir os 80%. Estes efeitos serão exacerbados por efeito do crescimento populacional e aumento do uso de água para a agricultura e industria.

Crescentes secas, dificuldades de abastecimento público e prejuízos económicos serão várias das suas consequências, com efeitos mais severos para os segmentos populacionais mais desfavorecidos. Estes dados alertam-nos, mais uma vez, para a necessidade de ter uma gestão criteriosa da água e limitar as alterações climáticas com políticas ativas que obrigam a repensar o modelo de desenvolvimento económico que temos. Uma economia virada para o lucro e a competitividade é incompatível com uma gestão ambiental criteriosa e a satisfação das necessidades básicas das populações. A planificação pública com participação popular de que economia queremos é vital para proteger recursos naturais e garantir qualidade de vida sem discriminação social. Isto implica repensar como produzimos e consumimos energia, alimentos, habitação, transportes, etc, etc.

Os efeitos de um capitalismo voraz sobre as condições ecológicas e sociais é evidente na China, onde parte do segredo do crescimento económico baseia-se na expansão agrícola, urbanização e de infraestruturas sem tomar em conta os recursos ambientais em que se sustenta. Com 1/6 da população mundial, a China tem apenas 6% das fontes potáveis disponíveis. Um sistema elétrico assente em barragens, nucleares e no carvão consome parte significativa dos seus recursos hídricos. 11 das províncias com maior escassez de água albergam 510 milhões de habitantes e contribuem para metade do seu PIB. Mesmo que os planos de proteção das zonas húmidas, incremento do preço da água ou construção de infra-estruturas de transvase das áreas férteis para as mais áridas avances, estes são apenas paliativos que adiam o problema, podem causar mais desigualdade social e não respondem às suas causas de base: uma economia insustentável para hoje e amanhã.

Artigo de Rita Calvário, publicado no blogue Inflexão

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, engenheira agrónoma.
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