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Facebook criou lista VIP que escapa ao controlo de publicações

A rede social é mais permissiva com utilizadores famosos que colocou numa “lista branca” e são supervisionados por um sistema diferente da revisão de conteúdos geral, o XCheck.
Ação contra a desinformação no Facebook. Foto de SumOfUs/Flickr.
Ação contra a desinformação no Facebook. Foto de SumOfUs/Flickr.

No Facebook são todos iguais mas há alguns mais iguais do que outros. Segundo uma investigação do Wall Street Journal publicada esta segunda-feira, o Facebook tem um programa, batizado XCheck (ou CrossCheck) que atribui tratamento especial a celebridades, políticos e outros “utilizadores de alto perfil”.

Desmentindo as declarações publicitárias de Mark Zuckerberg de que na sua rede social todos são iguais, o jornal norte-americano teve acesso aos documentos que provam a existência de um sistema que faz com que alguns utilizadores mais conhecidos fiquem isentos de cumprir as regras estabelecidas ou que estas sejam aplicadas de maneira mais aligeirada.

O programa terá começado como uma “medida de controlo de qualidade” que pretendia proteger algumas destas pessoas contra ataques que lhes fossem dirigidos. Hoje em dia, escreve o WSJ, “escuda milhões de VIPs” dos processos de controlo de publicações a que os outros utilizadores estão sujeitos. Os documentos provam que a empresa defendeu alguns destes utilizadores que fizeram publicações que continham “assédio ou incitamento à violência” que normalmente implicariam sanções. O exemplo apresentado é o do futebolista Neymar, ao qual foi permitido publicar fotos de uma mulher nua que o tinha acusado de violação. A foto acabou por ser retirada pela rede social mas esteve mais disponível para milhões de utilizadores durante muito mais do que teria estado no caso de um utilizador “normal” do Facebook depois de ter sido detetado este tipo de conteúdo. E o futebolista não teve a conta apagada, o que seria o procedimento habitual neste tipo de casos.

Às contas desta “lista branca” foi permitida a publicação de desinformação como a de que “as vacinas são mortais”, pode ler-se no artigo.

Um relatório interno do Facebook, de 2019, reconhecia que “ao contrário do resto da nossa comunidade, estas pessoas podem violar os nossos padrões sem nenhumas consequências” e concluía que este procedimento “coloca numerosos riscos legais, de conformidade e legitimidade e causam dano à nossa comunidade” e não é “publicamente defensável”. “Não estamos a fazer aquilo que dizemos que fazemos publicamente”, afirmava-se.

Segundo o WSJ, haverá cerca de 5,8 milhões de contas na lista XCheck. Um relatório de março indicava que havia a intenção de reduzir este número mas “a lista de VIPs continua a crescer”, admitia um gestor de produto da empresa.

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