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Fabrióleo contorna ordem de encerramento criando nova unidade

A empresa de tratamento de óleos recebeu ordem de encerramento por parte do Estado por violar regras ambientais. Para contornar o problema, deslocou-se de Torres Novas para Vendas Novas, abrindo aí uma nova unidade em nome dos filhos dos proprietários. O histórico não a impediu de receber uma verba comunitária.
Fotografia de mediotejo.net
Fotografia de mediotejo.net

As declarações de Pedro Silva, presidente executivo da Fabrióleo, caem no vazio quando confrontadas com as várias vistorias feitas à empresa. O dirigente afirmou, de acordo com a RTP, que a empresa “não viola nem nunca violou quaisquer regras ambientais. Somos a empresa mais inspecionada de Torres Novas - e acredito que de Portugal”.

Contudo, em junho de 2017, foi feita a quarta vistoria à Fabrióleo, que concluiu que a empresa mantinha o exercício de atividades e operações não autorizadas. Em janeiro de 2018, com nova vistoria, decidiu-se pelo encerramento.

Assim, foi criada a Extraoils, com os nomes dos filhos dos proprietários, durante o processo que levou à ordem de encerramento.

Num parecer enviado à Associação Portuguesa do Ambiente (APA), a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) afirmou que podia haver problemas para a saúde dos trabalhadores e populações. O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) foi também informado do risco, que foi também comunicado ao tribunal que julgou a providência cautelar.

Por sua vez, a APA não esconde a preocupação e ainda esta semana voltou a reiterar “a preocupação com a alteração do sistema de tratamento de águas residuais da Fabrióleo e consequentes valores elevados de compostos organoclorados no efluente tratado na ETAR e linha de água”.

Várias testemunhas relataram esta sexta-feira ao Sexta às 9, na RTP, como eram “os cheiros horrorosos” provocados pela empresa. “Nunca pensei na minha vida que estas fábricas viessem prejudicar tanto”, afirmou Maria Rodrigues, moradora de Torres Novas, ao mesmo programa.

O problema alastrou-se. A empresa, para contornar a ordem de encerramento, deslocou-se. Vendas Novas fica a dezenas de quilómetros, mas o cheiro nauseabundo é o mesmo.

Mesmo com o seu histórico de violação de regras ambientais, a Fabrióleo candidatou-se a fundos comunitários, tendo recebido uma verba de um milhão e meio de euros por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.

O secretário de Estado da Conservação das Florestas e do Ordenamento do Território, João Paulo Catarino, esteve na inauguração da nova empresa, mas disse à comunicação social que desconhecia quem eram os proprietários.

“Ficamos estupefactos quando tivemos acesso a um vídeo de inauguração dessa empresa e vimos o governo representado por aquele secretário de Estado, porque o governo sabe pormenorizadamente o que aqui se passa”, afirmou Helena Pinto, vereadora do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Torres Novas.

 

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