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Extrema-direita espanhola rompe consenso contra violência doméstica

O combate à violência doméstica e contra as mulheres era consensual na política espanhola. Até que o Vox chegou às instituições. Este dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, o partido da extrema-direita espanhola tratou de bloquear declarações sobre o tema que costumavam ser unânimes.
Manifestação contra a violência contra mulheres em Madrid. Novembro de 2019.
Manifestação contra a violência contra mulheres em Madrid. Novembro de 2019. Foto de EPA/JAVIER LIZON

As declarações institucionais sobre o combate à violência de género em vários Parlamentos Autonómicos e Câmaras Municipais, que deveriam marcar o passado 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, foram bloqueadas pelo Vox.

O tema costumava ser unânime entre esquerda e direita, independentistas e espanholistas. Aliás, tanto em 2004 quando foi aprovada a lei contra a violência de género quanto em 2017 quando se estabeleceu um pacto de Estado no mesmo sentido, não houve quem erguesse a voz nas instituições contra estas iniciativas.

Em 2019, na sequência da entrada do Vox em instituições políticas locais e regionais um pouco por todo o país, o consenso foi quebrado. Isso implica que estas tomadas de posição não sejam apresentadas, uma vez que exigem consenso.

Esta situação ter-se-á repetido em todo o Estado Espanhol, contudo o caso mais emblemático tornou-se o de Madrid. Nunca antes uma declaração institucional contra os assassinatos machistas tinha sido bloqueada. E, à esquerda, Mais Madrid e Podemos pressionaram PP e Ciudadanos pelo seu pacto de governo regional com a extrema-direita.

As trabalhadoras da rede municipal contra a violência de género da Câmara de Madrid enviaram uma carta às forças políticas com representação na autarquia em que escrevem: “não posicionar-se, não condenar a violência contra as mulheres através de uma declaração institucional é, por omissão, violência simbólica.”

As organizações feminista respondem à extrema-direita que não conseguirá com isto enfraquecer o movimento. A prova foi dada esta segunda-feira nas manifestações que aconteceram por todo o país.

Em declarações ao jornal Público espanhola, Elena Vega, da Plataforma Cordobesa Contra la Violencia a las Mujeres, considerou que a afronta da extrema-direita acaba por servir de ricochete: “ajuda-nos a continuar porque vemos que estamos a ser um perigo”, notando que é uma resposta do patriarcado ao avanço do feminismo.

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