Exército da Nigéria usa vídeo de Trump para justificar repressão a tiro

03 de November 2018 - 13:04

Dezenas de manifestantes xiitas foram mortos a tiro pelos militares nigerianos esta semana. O Exército respondeu às críticas da Amnistia Internacional com o vídeo de Trump a prometer fogo real sobre os migrantes que atirem pedras.

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Manifestação xiita acabou em banho de sangue na passada segunda-feira, junto à capital nigeriana. Imagem retirada do Youtube.

Cerca de mil manifestantes xiitas manifestaram-se esta segunda-feira nos arredores da capital nigeriana, Abuja. Segundo  o New York Times, vários vídeos publicados nas redes sociais mostram alguns manifestantes a atirarem pedras contra os soldados, que em resposta dispararam contra os manifestantes em fuga, causando dezenas de mortes.

A Amnistia Internacional denunciou que a repressão fez mais de 45 mortos e uma centena de feridos, uma matança que fez lembrar confrontos semelhantes ocorridos em 2015, também em protestos do Movimento Islâmico da Nigéria, quando os soldados mataram 350 manifestantes.

A resposta dos militares às denúncias de violações dos direitos humanos surgiu na conta do Exército na rede social Twitter, com a publicação do discurso de Donald Trump na semana passada, em que prometeu que o exército iria responder com balas às pedras que fossem atiradas pelos participantes na caravana de migrantes vinda de vários países da América Central com destino aos EUA.

“Por favor, vejam e tirem as vossas conclusões”, escreveu o Exército na publicação com o vídeo de Trump, provocando uma onda de indignação nas redes sociais do país. Horas depois, os militares retiraram a publicação do Twitter sem qualquer explicação.

“As últimas declarações de Donald Trump prosseguem um padrão de ameaças, encorajamento e justificação dos abusos dos direitos humanos”, afirmou Margaret Huang, diretora da Amnistia Internacional nos EUA. “Em vez de entrar numa absurda competição para ver quem é o mais competente a violar os direitos humanos,  o governo nigeriano deve responsabilizar as suas forças de segurança pela terrível matança de pelo menos 45 manifestantes pacíficos”, acrescentou Osai Ojigho, responsável da ONG na Nigéria em comunicado.