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Exaustão no SNS: Equipas de cirurgia do Santa Maria ameaçam demitir-se

Os chefes da equipa das urgências de cirurgia geral do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, ameaçam demitir-se caso as escalas de serviço inexequíveis não sejam resolvidas até dia 22 de novembro.
Os chefes das urgências mostram-se solidários com os assistentes que se recusam a fazer mais horas do que as estipuladas por lei.
Os chefes das urgências mostram-se solidários com os assistentes que se recusam a fazer mais horas do que as estipuladas por lei. Foto de Tiago Petinga, Lusa.

É mais um sinal de alerta numa série de demissões em várias unidades hospitalares que ocorreram desde o início de 2021. Agora, no maior centro hospitalar do país, o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

A carta, subscrita pelos chefes da equipa das urgências de cirurgia geral, foi entregue à direção clínica durante a reunião da manhã desta quarta-feira. Em causa estão as escalas de serviço, que consideram não exequível devido à falta de recursos humanos. Ameaçam por isso demitir-se caso o problema não seja resolvido até dia 22 de novembro.

Os médicos referem na carta que o serviço tem vindo a degradar-se nos últimos anos, tendo sofrido recentemente um agravamento devido ao facto de os assistentes hospitalares se recusarem a fazer mais do que as horas extraordinárias estipuladas na lei.

No pedido de demissão, citado pelo JN, os chefes de equipa mostram-se solidários com os assistentes, defendendo ainda que "a escala de urgência de cirurgia geral não é exequível segundo o regulamento de constituição das equipas de urgência".

Em comunicado, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que integra Santa Maria, confirma a reunião desta manhã e manifesta "total abertura e empenho na melhoria das questões identificadas, tendo já agendado reuniões com os respetivos serviços para o início da próxima semana para lhes dar rápida resposta".

O hospital sublinha que "estas equipas se mantêm em funções e que o Serviço de Urgência Central do CHULN continua a funcionar com toda a normalidade, cumprindo o seu papel de unidade diferenciada de fim de linha".

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque da Cunha, considera que os chefes de equipa deste serviço estão "fartos das promessas do diretor clínico", sendo que também estão em causa "as condições de trabalho, contratação, remuneração das próprias chefias, falta de investimento em material, a incapacidade geral de fixar os que estão".

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