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Ex-presidente egípcio morre em tribunal

Preso desde a sua deposição pelos militares em 2013, Mohammed Morsi era uma das principais figuras da Irmandade Muçulmana e foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito.
Mohammed Morsi na sua primeira visita presidencial à Europa em 2012. Foto União Europeia/Flickr

A meio de um julgamento em que é acusado de espionagem por alegados contactos com o grupo palestiniano Hamas, próximo da Irmandade Muçulmana egípcia, Mohammed Morsi falou durante poucos minutos dentro de um “aquário” à prova de som istaçado no tribunal. Momentos depois, desmaiou e morreu, dizem testemunhas à BBC.

A família de Morsi tinha denunciado muitas vezes as condições da detenção do antigo presidente deposto pelos militares. Para além de não terem acesso a visitas, os familiares queixavam-se que Morsi, agora com 67 anos, não estava a receber tratamento para os seus vários problemas de saúde, como os diabetes e doenças de fígado e rins.

O seu filho Abdullah afirmou em março que as autoridades no poder no Egito “fazem de propósito, pois querem vê-lo morto por ‘causas naturais’ o mais cedo possível”. Esta segunda-feira, a Irmandade Muçulmana reagiu à notícia da morte, considerando-a “um verdadeiro assassinato”. A organização apelou a uma grande manifestação no funeral e junto às embaixadas egípcias em todo o mundo, numa altura em que o presidente egípcio al-Sisi procura ganhar o apoio norte-americano para declarar a Irmandade Muçulmana uma organização terrorista internacional.

Eleito em 2012, após a revolução da Praça Tahrir que afastou o regime de Mubarak, Mohammed Morsi teve apenas um ano de mandato marcado pela instabilidade e pela guerra com as estruturas do anterior regime na justiça e no exército. Longe de representar as aspirações democráticas que se expressaram nos meses da revolução, Morsi foi acusado de querer transformar o país num estado religioso e voltou a trazer à rua, desta vez contra si, manifestações com muitos milhares de pessoas. Acabou deposto em julho de 2013 pelo golpe militar que colocou o general Abdel Fattah al-Sisi na presidência, até hoje.

Na prisão desde o dia do golpe, Morsi sempre recusou a autoridade dos tribunais nos vários julgamentos a que foi submetido e onde foi condenado a mais de 45 anos de prisão. Uma comissão do parlamento britânico denunciou no ano passado que o ex-presidente era mantido em solitária durante 23 horas por dia, condição que equipararam a tortura. O líder dessa comissão, Crispin Blunt, já veio apelar a uma investigação internacional sobre a morte de Mohammed Morsi.

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