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Ex-comissário responsabiliza serviços secretos nos atentados das Ramblas

No julgamento em que responde por espionagem ilegal, José Manuel Villarejo implicou o líder dos serviços secretos espanhóis, afirmando que Sanz Roldán queria “dar um pequeno susto à Catalunha” em vésperas do referendo à independência.
Manifestação contra o terrorismo após os atentados de Barcelona. Foto Fotomovimiento.org/Flickr

José Manuel Villarejo é um antigo comissário do Corpo Nacional de Polícia de Espanha detido em 2017 pelos crimes de organização criminosa, suborno e lavagem de dinheiro e que está no centro dos escândalos conhecidos por “cloacas do Estado”. Já na reforma, continuou a aproveitar-se das suas ligações aos meios policiais para a sua atividade privada, espiando e violando as comunicações de empresários e políticos - nomeadamente do Podemos - e vendendo essas informações aos concorrentes e a alguma imprensa conotada com a direita e extrema-direita espanhola.

Esta terça-feira, respondia em Madrid no banco dos réus por algumas dessas atividades de espionagem ilegal, quando resolveu atacar aquele que considera ser o responsável pela sua prisão: o antigo diretor do Centro Nacional de Inteligencia, Félix Sanz Roldán.

"Apesar de estar reformado, continuei a trabalhar com a CNI até ao dia em que fui detido. Eu estava a gravar com eles para tentar resolver a confusão do ataque do imã de Ripoll, que acabou por ser um erro de Sanz Roldán ao ter calculado mal as coisas para dar um pequeno susto à Catalunha". Desta forma, sem nenhuma prova a não ser as suas palavras, o ex-comissário não se alongou mais sobre o assunto no julgamento. Mas foi o suficiente para incendiar os ânimos na política catalã, com o líder do Governo a exigir uma investigação às palavras de Villarejo acerca da origem dos atentados de agosto de 2017 que mataram 17 pessoas e feriram mais de cem.

Além do presidente da Generalitat, Pere Aragonès, também a presidente do Parlamento catalão, Laura Borràs, anunciou que os serviços jurídicos irão apresentar queixa judicial. Os parceiros de governo Esquerda Republicana e Junts per Catalunya irão também reapresentar as suas propostas de criar uma comissão parlamentar de inquérito sobre os atentados, que foram sempre rejeitadas pelo PSOE, PP e Ciudadanos.

As ligações dos serviços secretos ao homem que foi considerado o cérebro dos atentados nas Ramblas de Barcelona e em Cabrils não são uma novidade. Uma investigação do jornal espanhol Publico revelou que Abdelbaki es Satty, o imã de Ripoll, era um informador dos serviços de inteligência espanhol à data dos atentados. E que estes tinham conhecimento detalhado das rotas das viagens de três dos terroristas, feitas enquanto preparavam os explosivos, além das suas comunicações através de escutas telefónicas.

 

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