Évora: SOS Racismo repudia expulsão de família cigana

04 de February 2017 - 13:43

A expulsão de uma família cigana pela PSP de um terreno situado em Évora foi criticada pela Associação SOS Racismo que acusa as autoridade policiais de insensibilidade social e de ultrapassarem as competência do executivo camarário.

PARTILHAR
Para o SOS Racismo, não tem havido vontade para resolver a situação da comunidade cigana
Para o SOS Racismo, não tem havido vontade para resolver a situação da comunidade cigana

A situação ocorreu na manhã desta sexta-feira no Bairro da Malagueira e segundo aquela associação, a polícia não deixou sequer que "quatro crianças que fazem parte da família que foi expulsa pudessem deslocar-se para a escola".

De acordo com um comunicado do SOS Racismo “em meados de janeiro deste ano a Câmara Municipal de Évora deu autorização a cerca de dez famílias de etnia cigana para acamparem no Bairro da Malagueira”, acrescentando que “algumas destas famílias constam de uma lista de 15 famílias que o município elaborou autorizando expressamente a permanecerem no concelho dado que têm crianças inscritas e a frequentar escolas situadas na área de jurisdição da autarquia”.

No entanto, prossegue, a nota daquela associação, “a 30 e 31 de janeiro a PSP, após instrução do município de Évora, mandou levantar o acampamento a todas estas famílias alegando que a autorização havia sido retirada na sequência de queixas de moradores deste Bairro”.

Estes, sublinha o comunicado,”alegaram a existência de furtos e também de haver muito lixo acumulado naquela zona, uma situação que é resultante do facto de o município eborense não ter acautelado esta situação uma vez que não tomou providências para a garantir o fornecimento e água aos moradores nem colocou recipientes para a recolha de lixo”.

Na sequência desta tomada de posição, as famílias “foram todas, sem exceção, expulsas do local”, não lhes tendo sido dada “qualquer opção” para poderem montar o seu acampamento, sublinha o SOS Racismo, adiantando que esta situação levou a que “várias crianças tenham ficado privadas de ir à escola, porquanto as famílias em desespero e sem saber para onde deviam ir, não tiveram outra alternativa senão vaguear pela cidade”.

“Pressões racistas e xenófobas”

“Sabendo o próprio SOS Racismo - através de contatos diretos que fez - que a Câmara diz que não tem alternativa e sabendo também que já há dois anos que foi criado um grupo de trabalho para procurar resolver esta questão e que passados quase dois anos continua sem se ver resultados, é necessário perceber o que pretende o município e para onde se poderão dirigir estas famílias com as suas carroças?”, questiona a associação.

Perante estes factos, o SOS Racismo realça ainda “ter conhecimento” de que as questões relacionadas comunidade cigana que se encontra em Évora já foram suscitadas no Conselho Municipal de Segurança, o que demonstra que "não tem havido vontade de encontrar solução que permitam resolver estes problemas".

“Queremos acreditar que, em ano de eleições autárquicas, os mais elementares Direitos Humanos, em Évora, ainda se sobreponham às aritméticas eleitorais que por norma estão muito dependentes de pressões racistas e xenófobas”, finaliza o comunicado.