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Evergrande novamente em risco de falência

A construtora, com uma dívida total de 310 mil milhões de dólares, tem navegado um calendário de serviço de dívida em permanente risco de incumprimento, enfrentando agora mais um pagamento de 260 milhões de dólares. E não está sozinha no risco de incumprimento.
Também o Kaisa Group Holdings Ltd., avisou que poderia falhar o reembolso de um empréstimo obrigacionista de 400 milhões de dólares na próxima semana.
Também o Kaisa Group Holdings Ltd., avisou que poderia falhar o reembolso de um empréstimo obrigacionista de 400 milhões de dólares na próxima semana. Imagem de torre da Evergrand em Shanghai, foto de Alex Plavevski via EPA/Lusa.

A Evergrande alertou esta sexta-feira em comunicado que não terá recursos para “não há garantias de que o Grupo tenha fundos suficientes para continuar a cumprir as suas obrigações financeiras”. O grupo tem uma dívida acumulada que se calcula para cima de 310 mil milhões de dólares (cerca de 274 mil milhões de euros) dos quais 19 mil milhões serão obrigações a credores externos.

Com o mercado imobiliário chinês em crise, há vários meses que o calendário de serviço de dívida da construtora ultrapassou os seus recursos, tendo vindo a saltar de prazo em prazo até ao limite para garantir os pagamentos previstos. Agora, tem mais 260 milhões de euros para pagar e, segundo a empresa, não terá meios para o fazer.

A Evergrande não está sozinha no risco de incumprimento. Também, outro promotor imobiliário, o Kaisa Group Holdings Ltd., avisou que poderia falhar o reembolso de um empréstimo obrigacionista de 400 milhões de dólares na próxima semana. O Kaisa adiantou que tentou renegociar o pagamento, devido para quinta-feira, mas que muito poucos obrigacionistas concordaram com os termos avançados.

No passado dia 5 de outubro, outro promotor imobiliário de média dimensão, o Fantasia Holdings Group, anunciou que ia falhar um pagamento de 205,7 milhões de dólares devido a investidores obrigacionistas. Centenas de pequenos promotores imobiliários chineses têm ido à falência desde que os reguladores começaram a intensificar o controlo sobre as finanças do setor, em 2017.

Os reguladores chineses procuraram acalmar os investidores com a emissão de declarações em que asseguraram que o sistema financeiro chinês era forte e que as taxas de incumprimento eram baixas, garantindo que muitos promotores imobiliários são financeiramente saudáveis e que Pequim vai continuar a deixar funcionar os mercados de crédito.

“O risco de contágio dos eventos de risco do grupo no funcionamento estável do mercado de capitais é controlável”, afirmou a comissão reguladora do mercado de capitais chinesa.

A bolha imobiliária e as contradições dentro do regime

Pequim e o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, estão há vários meses envolvidos num complicado jogo de poder em torno das políticas a implementar para lidar com a bolha imobiliária no país.

Um imposto sobre propriedade entrou na discussão política dentro do Partido Comunista Chinês há mais de uma década, mas nada avançou até hoje, sempre devido a enorme resistência de diferentes grupos de influência a nível local e nacional, dependentes de um mercado imobiliário que se teme que colapse sob qualquer pressão.

Face à crescente bolha imobiliária na China, onde a Evergrande é apenas uma pequena parte do problema, Xi Jinping adotou oficialmente a proposta de um imposto sobre propriedade no início deste ano. Desde então, a proposta foi reduzida para implementação limitada a apenas 10 cidades.

A dívida interna e externa associada ao setor imobiliário na China está calculada em cinco biliões de dólares (trillions em inglês), dos quais apenas 300 mil milhões são da Evergrande. Face a isto, a proposta original de Xi Jinping poderá ser demasiado tímida para resolver o problema.

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