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Eurogrupo decide sucessão de Centeno. Quem são os candidatos?

Os ministros das Finanças dos 19 países do euro decidem esta quinta-feira quem vai liderar a partir de agora o Eurogrupo. Quais são as possibilidades em cima da mesa?
Paschal Donohoe, Nádia Calviño e Pierre Gramegna são os candidatos à sucessão de Centeno no Eurogrupo.

Nádia Calviño

Nádia Calviño, ministra com a pasta dos Assuntos Económicos de Espanha, é a única mulher presente no Eurogrupo. A vice-presidente do governo de Pedro Sánchez parte, teoricamente, como favorita desta eleição, já que deverá contar com o apoio da Alemanha e de França, dois dos países mais influentes nas negociações europeias.

Calviño tem já o apoio expresso de Portugal e Itália, sendo que Grécia, Malta e Finlândia também deverão fazê-lo. No entanto, uma vez que são precisos pelo menos 10 votos para vencer, a eleição está longe de ser um dado adquirido.

Paschal Donohoe

O segundo candidato mais bem posicionado é Paschal Donohoe, ministro das Finanças da Irlanda. O irlandês recebeu o apoio do PPE (Partido Popular Europeu, o grupo de centro-direita que inclui o PSD e o CDS), o que indica que, além da própria Irlanda, deverá contar com os votos da Áustria, Eslováquia, Letónia, Chipre e Eslovénia.

Pierre Gramegna

Por fim, há ainda a candidatura de Pierre Gramegna, ministro das Finanças do Luxemburgo. O luxemburguês já concorrera com Mário Centeno na eleição anterior, sendo que deverá reunir apenas o apoio da Bélgica e da Holanda.

Assim, parece certo que nenhum dos candidatos terá votos suficientes para ser eleito na primeira volta. A votação, que será secreta, passará então por excluir o candidato menos votado na primeira volta e deixar a decisão para a segunda volta.

Entrada de Leão, saída de Centeno

Apesar da visibilidade que Mário Centeno ganhou em Portugal, o mesmo não se pode dizer do seu mandato no Eurogrupo. Em declarações ao Jornal de Negócios, o eurodeputado bloquista José Gusmão afirmou que “a passagem de Centeno pelo Eurogrupo foi inócua. Teve um papel muito pouco relevante comparativamente com anteriores presidentes. Adotou plenamente a retórica habitual da contenção orçamental”.

A verdade é que os três principais dossiers em que Centeno esteve envolvido durante o seu mandato - Orçamento da Zona Euro (Budgetary Instrument for Convergence and Competitiveness - BICC), reforma do Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE) e conclusão da União Bancária - continuam por fechar. Se, em relação ao MEE, o Eurogrupo chegou a apresentar uma proposta para aumentar a sua capacidade orçamental (dependente do acordo no Conselho Europeu e no Parlamento), a União Bancária está longe de estar completa e os planos de criação do Orçamento da Zona Euro parecem ter sido postos de lado no contexto da resposta europeia à crise, sendo que o BICC poderá ser reconvertido num instrumento orçamental temporário (até 2024).

Esta reunião será a estreia de João Leão como ministro das Finanças português. O voto de Portugal é em Nádia Calviño, como anunciou António Costa, que explicou que apoia a candidata espanhola “pelas suas qualidades pessoais, pela forte experiência que tem em matéria europeia e também pela convergência de pontos de vista que temos mantido sobre o que deve ser o futuro da União Económica e Monetária”.

Calviño parece reunir o apoio do centro-esquerda, ao passo que Donohoe e Gramegna disputam os votos dos conservadores e liberais. É importante realçar o facto de os dois últimos serem ministros das Finanças de países que atuam como paraísos fiscais dentro da União Europeia, captando receita fiscal devida noutros Estados-Membros através de isenções fiscais ou taxas de imposto efetivas mais baixas. Tendo em conta o papel de destaque que os líderes do Eurogrupo costumam assumir na governação económica europeia, sobretudo no atual contexto, em que cresce o consenso sobre a necessidade de rever as regras orçamentais, este aspeto não deixa de ser politicamente relevante.

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