EUA: Partido Republicano decide que invasão do Capitólio foi “discurso político legítimo”

05 de February 2022 - 17:00

Para além de considerar o ataque que causou cinco mortes como legítimo, o órgão dirigente do partido censurou os congressistas que integram a comissão de investigação. Trump e Pence continuam a trocar galhardetes sobre a possibilidade de reverter o resultado das presidenciais.

PARTILHAR
Reunião do Comité Nacional Republicano em Salt Lake City. Foto do Twitter da sua presidente, Ronna McDaniel.
Reunião do Comité Nacional Republicano em Salt Lake City. Foto do Twitter da sua presidente, Ronna McDaniel.

O Comité Nacional do Partido Republicano aprovou esta sexta-feira uma resolução em que define o assalto ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021 como uma forma legítima de discurso político. Nesta resolução, aprovada por unanimidade na convenção de inverno do órgão, reunida em Salt Lake City, também Liz Cheney e Adam Kinzinger, os dois congressistas que integram a comissão de investigação do Congresso dos EUA, são censurados.

Ao longo dos últimos meses, a investigação ao ataque, que resultou em cinco mortes e centenas de feridos, tem apertado o cerco ao núcleo mais próximo do ex-presidente Trump conhecendo-se cada vez mais detalhes sobre as relações entre este e os organizadores da manifestação que precedeu o assalto. Entretanto, também começaram já a ser julgados alguns dos 720 acusados formalmente pelo ataque, perto de 50 dos quais já foram condenados nos tribunais. Nada disto impede a cúpula do partido de escrever que a investigação se trata de uma “perseguição de cidadãos comuns” que exerceram o direito à expressão política. Trata-se de uma inversão de posição uma vez que vários líderes do partido tinham, primeiro, condenado expressamente o assalto. Depois alguns deles passaram a tentar relativizar a sua importância.

Depois da votação, vários dos dirigentes sentiram-se obrigados a dizer que não se referiam na resolução às pessoas que cometeram atos violentos. O texto aprovado, contudo, não faz qualquer distinção entre manifestantes violentos e não violentos. Por outro lado, está pejado de linguagem trumpista, considerando que Biden e os Democratas estão “embarcados num esforço sistemático para substituir a liberdade pelo socialismo, eliminar a segurança nas fronteiras a favor da abertura de fronteiras sem lei, criar uma inflação recorde para roubar o sonho americano dos nossos filhos e netos”, entre outras acusações.

Ainda antes da votação desta resolução já Liz Cheney, do Wyoming, contra-argumentava, afirmando que o seu partido se tornou “refém” do perdedor das últimas presidenciais e que ela, enquanto conservadora, respeitava a Constituição do país. E Adam Kinzinger, do Illinois, também reagiu afirmando que os perdia está a perder sentido da realidade face às "teorias da conspiração" e a uma cultura "tóxica" de obediência.

Esta resolução fecha uma semana em que Trump e o seu ex-vice-presidente voltaram a trocar galhardetes sobre a derrota eleitoral. O ex-presidente insistiu que Pence “poderia ter anulado a eleição” e garantiu que as pessoas condenadas pela sua ação no Capitólio seriam perdoadas casos volte à presidência. Mike Pence negou que essa possibilidade existisse.

Termos relacionados: Internacional